Maior parte dos idosos que recorreu à APAV aguentou entre 2 a 6 anos como vítima

Num terço dos casos, o autor das agressões é o próprio filho, segundo dados divulgados esta quinta-feira

Na última década, os idosos a viver sós ou em companhia com outros idosos aumentou 28%
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Na última década, os idosos a viver sós ou em companhia com outros idosos aumentou 28% Adriano Miranda/Arquivo

A maior parte dos idosos que recorreu à Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) entre 2013 e 2014 viveu entre dois a seis anos como vítima de crime e de violência, delitos cometidos sobretudo pelos filhos e companheiros, segundo dados divulgados esta quinta-feira.

Esta quinta-feira assinala-se o Dia Internacional da Pessoa Idosa e para marcar a data a APAV divulgou uma estatística temática sobre as pessoas idosas vítimas de crime entre os anos de 2013 e 2014. De acordo com os dados da APAV, neste período, houve 2009 pessoas idosas que pediram ajuda à associação, sendo que 1626 revelaram ser vítimas de crime e de violência. Este número reparte-se entre 774 vítimas em 2013 e 852 em 2014.

No total, a APAV registou 4.105 crimes contra pessoas idosas, sobretudo maus tratos psíquicos (36,4%) e maus tratos físicos (24,4%). Em 2013 houve registo de seis homicídios consumados, número que baixou para três em 2014.

As pessoas idosas foram sobretudo (80%) vítimas de crimes de violência doméstica. Em mais de 50% dos casos (208 -- 2013, 228 -- 2014), as vítimas têm entre 65 e 69 anos e, quando analisado o estado civil, conclui-se que a maioria ou estava casada (44,5%) ou era viúva (28,5%).

Em 550 casos, os idosos viviam em famílias nucleares com filhos, havendo também outros 300 que viviam sozinhos. Quando analisada a relação com o agressor, os dados da APAV revelam que em 617 casos (36,5%) o autor das agressões é o próprio filho, enquanto em 489 casos (28,8%) é o cônjuge. Há também 80 casos em que são os próprios netos.

Os dados mostram também que o tipo de vitimação continuada atinge nos dois anos "um valor bastante elevado", chegando aos 77% em 2013 e aos 80% em 2014. A maior parte dos idosos (62,4%) não soube ou não respondeu à pergunta sobre durante quanto tempo aguentaram as agressões, mas entre os que responderam (37,5%), a maior parte (26,6%) admitiu ter aguentado entre dois e seis anos.

Os crimes e/ou as agressões aconteceram sobretudo (55%) na residência comum ou na residência da vítima (25,3%).

O autor do crime é sobretudo do sexo masculino (67,9% - 2014, 67,7% - 2013), com idades entre os 65 e os 74 anos (12,3%) ou com mais de 75 anos (10,7%), está desempregado ou reformado e na maior parte dos casos não tinha antecedentes criminais.

A associação refere que, dos crimes registados com pessoas idosas, 31,8% das situações ocorridas em 2013 foram alvo de queixa, enquanto em 2014 essa percentagem baixou para 29,7%."No entanto, o número de inexistência de queixa ultrapassou, nos dois anos em análise, os 50% das situações", diz a APAV.