Arqueólogos vão procurar navios e outros tesouros afundados no rio Sado

Os trabalhos de prospecção subaquática vão decorrer entre Alcácer do Sal e o núcleo arqueológico da feitoria fenícia de Abul, que existiu há mais de 2700 anos.

Protocolo envolve a Câmara de Alcácer do Sal, bem como juntas de freguesia e uma associação local
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Protocolo envolve a Câmara de Alcácer do Sal, bem como juntas de freguesia e uma associação local Pedro Cunha/Arquivo

Uma equipa de arqueólogos vai mergulhar no Sado à procura de navios e de outros objectos arqueológicos que estejam submersos nas águas do rio, entre Alcácer do Sal e o local onde existiu, há mais de 2700 anos, a antiga feitoria fenícia de Abul. A investigação resulta de um protocolo assinado nesta quarta-feira entre a Câmara de Alcácer do Sal e a Faculdade de Ciências Sociais e Humanas (FCSH) da Universidade Nova de Lisboa.

Os investigadores acreditam que um dos principais vestígios conhecidos da presença fenícia em Portugal e na fachada atlântica europeia, descobertos em 1990, possa ter continuidade no património submerso nas águas do rio que “se suspeita ser abundante e de enorme valor científico”, lê-se num comunicado da autarquia.

Alexandre Monteiro, o especialista em arqueologia subaquática que vai coordenar os trabalhos de prospecção, salienta que o rio Sado continua a ser “um grande enigma” no que diz respeito ao seu passado histórico. “ É apenas uma questão de começar numa ponta e terminar na outra, fazendo reemergir a história dos povos com a ajuda de tecnologia”, sustenta.

Os materiais já descobertos e recolhidos na feitoria fenícia de Abul, localizada na península que se destaca na Reserva Natural do Estuário do Sado, entre Setúbal e Alcácer do Sal, justificaram que em 2012 o núcleo arqueológico fosse classificado como monumento nacional.

Nas oito escavações promovidas pelo Museu de Arqueologia e Etnografia do Distrito de Setúbal e pela Missão Arqueológica Francesa em Portugal entre 1990 e 1997, os investigadores identificaram ainda sobre as ruínas fenícias três fornos e uma olaria romana para a produção de variados tipos de ânforas que funcionaram entre o século I e III.

Com a assinatura do protocolo “inédito” entre a autarquia e a FCSH, um objectivo que persistia por efectivar “há mais de 30 anos”, Vítor Proença, presidente da Câmara de Alcácer do Sal, espera alcançar uma mais “significativa valorização do património” num do concelho que “não é apenas um destino turístico de sol e mar”.

Além da FCSH, vão estar envolvidos outros institutos e entidades com recursos técnicos e conhecimentos úteis para viabilizar a investigação.