PS destaca aumento do desemprego quando o trabalho sazonal devia aumentar

Paulo Portas salienta que há menos 67 mil desempregados que em Agosto de 2014.

Maria Luís Albuquerque esta manhã, como o presidente da Comissão de Orçamento e Finanças, o socialista Eduardo Cabrita
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Maria Luís Albuquerque esta manhã, como o presidente da Comissão de Orçamento e Finanças, o socialista Eduardo Cabrita Rui Gaudêncio

A partir dos números do desemprego, Eduardo Cabrita acusou Passos Coelho de “não saber do que fala e de mentir aos portugueses”. “O desemprego, em pleno Verão, e quando o turismo deveria impulsionar a criação de postos de trabalho sazonais, está a subir”, disse o socialista em Setúbal.

Cabrita recuperou ainda as revelações sobre o BPN – de que haveria contas escondidas – e ainda os dados da semana passada sobre o défice resultantes do adiamento da venda do Novo Banco para classificar a conduta de Passos Coelho como um “misto de ligeireza e metira compulsiva”.

“Passos Coelho não tem credibilidade na apresentação de contas públicas”, repetiu por mais de uma vez.

Por seu lado, Paulo Portas sustentou que o número do desemprego “é francamente bom comparado com o do mês homólogo do ano passado” e é “menos bom” face a Julho deste ano, o que com alguma frequência sucede em Agosto.

Em comparação com o mês de Agosto de 2014, “há menos 67 mil desempregados”, disse o vice-primeiro-ministro à margem de uma acção de campanha em Cantanhede.

Questionado sobre se a sazonalidade não deveria melhorar o número do desemprego em Agosto, o líder do CDS aconselhou a consulta da série histórica das estatísticas. Portas preferiu sublinhar outro indicador económico que é mais favorável ao Governo. “O clima de confiança dos consumidores portugueses atingiu o máximo histórico desde Julho de 2001, há 14 anos”, afirmou. 

Jerónimo realça “manipulação estatística”

Mais do que a décima que a taxa de desemprego subiu entre Julho e Agosto, de 12,3% para 12,4%, como divulgou esta terça-feira o INE, o que Jerónimo de Sousa condena é a “manipulação estatística” que o Governo continua a fazer ao considerar como emprego os estágios e cursos de formação que inventou para quem passa pelo fundo de desemprego.

No final de uma arruada junto à estação da Parede, o secretário-geral do PCP acusou o Governo se usar “esquemas” e de ter a “concepção de que vale mais pouco do que nada, dos pobrezinhos mas honrados, quando o que se exige é uma outra política económica”.

E continuou: “Não é por acaso que foram 500 mil portugueses para a emigração, 70% dos quais com menos de 35 anos porque não encontravam cá emprego com direitos. Sem mais produção industrial, por mais estatísticas que se façam não se consegue ultrapassar o problema do emprego em Portugal.”

Governo é "recordista da destruição de emprego”, diz BE
Os dados do INE são a “marca da austeridade” e do “falhanço de uma governação”, disse por seu lado a porta-voz do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, à margem de uma visita a uma fábrica no concelho de Santa Maria da Feira.

“É a marca da austeridade. Austeridade significa destruição do emprego, significa destruição da economia. O que estes números mostram é precisamente isso. Temos cada vez menos emprego. Este Governo vai sair de funções, deixando o país com um PIB mais pequeno, uma dívida maior, um défice igual e com menos emprego ainda do que aquele que já tínhamos. É a marca do falhanço de uma governação”, considerou, acusando o actual executivo de ser “o Governo recordista da destruição de emprego” no país.

Confrontada com os números que mostram que a taxa de desemprego em Portugal subiu ligeiramente em Agosto para 12,4% (um aumento de 0,1 pontos percentuais face ao valor definitivo apurado para o mês de Julho), Catarina Martins preferiu não comentar “décimas acima”, “décimas abaixo”, até porque, defende, a taxa de desemprego “não reflecte a realidade” por “vários factores”, entre os quais a “gigantesca emigração do país”.