CDU e BE na expectativa de aumentar em deputados

Jerónimo de Sousa acredita que os comunistas voltarão a eleger deputados nos distritos de Aveiro e Coimbra. Catarina Martins antecipa um Bloco a ganhar expressão até fora dos grandes centros urbanos, mesmo que aí isso não se traduza já em mandatos.

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Jerónimo de Sousa Miguel Madeira
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Catarina Martins Miguel Madeira

O crescimento eleitoral é a expectativa assumida em declarações ao PÚBLICO quer pelo secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, quer pela porta-voz do BE, Catarina Martins. “Esperamos ter mais do que temos, mas não quantificamos”, afirma Catarina Martins, em relação ao um grupo parlamentar que é formado por oito deputados. Enquanto Jerónimo de Sousa declara em relação aos actuais 16 lugares em São Bento ocupados pela CDU: “Sem querer quantificar, aquilo que é o nosso objectivo anunciado é o aumento do número de votos e de deputados.”

CDU admite 19 ou 20
Jerónimo de Sousa lembra que “a CDU teve 7,9% nas últimas eleições [legislativas] e cada voto a mais, cada deputado a mais, é um avanço”. Por isso não quer fixar objectivos definidos e explica: “Imagine que não temos 20 deputados e que temos 19 - isto é uma suposição. Não transformemos isto num recuo ou num resultado que sabe a pouco.” E insiste em que o “facto relevante” é subirem e a CDU “conseguir a eleição de mais deputados”. Apesar do cuidado que coloca na escolha das palavras, o secretário-geral do PCP não deixa de frisar que a CDU tem a “ambição de ter mais”, mas garante que os comunistas têm “sempre os pés assentes na terra” e sublinha que se trata de “um processo de conquistar a pulso eleitorado”.

E sempre com a ressalva de que não quer estabelecer metas, Jerónimo de Sousa assume que espera que a CDU volte a eleger deputados nos círculos de Aveiro e Coimbra, bem como que eleja mais um em Lisboa e mais outro em Setúbal. “Olhando para distritos onde não temos eleitos, estou a pensar em Coimbra, estou a pensar em Aveiro, acho que é possível, essa perspectiva não está consolidada ainda, mas é possível, tal como o reforço em Lisboa e na margem sul. Não estou a falar do Alentejo onde cada um tem um”, admitiu Jerónimo ao PÚBLICO.

Refira-se que o PCP não atinge um grupo parlamentar na ordem dos 20 deputados ou mais há quase trinta anos, quando em 1987 elegeu 31 deputados com uma percentagem de 12,14. Depois disso, baixou para 17 deputados em1991 com 8,8%, e para 15 em 1995 com 8,57%, nas últimas eleições em que teve mais de meio milhão de votos. Fruto do aumento gradual da abstenção ao longo dos anos, a CDU recupera os 17 deputados. Em 1999, com 8,99% mas com menos de meio milhão de votos. Em 2002, com 6,94% baixa para 12 deputados. Em 2005, com 7,54% volta a subir para 14 deputados. Em 2009, prossegue a recuperação e com 7,86% elege 15 deputados.

A expectativa de Jerónimo de Sousa é alicerçada, como o próprio afirma, no que a CDU tem vivido na presente campanha. E dá como exemplos casos concretos de conquista de apoios. “Ao contrário do que a gente pensa em relação aos pescadores de Sesimbra, aquilo não era grande ambiente da CDU e há uma evolução espantosa”, refere a título de exemplo, apontando para outro caso, o da Autoeuropa a fábrica da Volkswagen onde o Bloco de Esquerda tradicionalmente é a força partidária dominante: “A Autoeuropa, onde a classe operária é muito jovem, em formação de consciência social e política, senti mais aproximação, mais saudação, mais incentivo, mesmo aquela iniciativa que os camaradas de lá tiveram de recolher 680 assinaturas de apoio à CDU, isto é um acontecimento. “

Aos olhos do líder do PCP, a perspectiva de crescimento surge assim como “uma coisa consolidada” e é uma “convicção” que “radica naquilo que a campanha tem vindo a demonstrar”. Isto é, “avanços muito grande” que fazem com que, onde antes “havia barreiras, preconceitos”, haja agora “uma grande aproximação das pessoas à CDU”. É certo, garante Jerónimo de Sousa, que “essa aproximação, essa simpatia geral não se vai traduzir mecanicamente em votos”. “Mas é um capital importante”, diz.

“Combater a austeridade”
Por sua vez, Catarina Martins explica que “o objectivo do Bloco é reforçar o grupo parlamentar, para que haja uma Assembleia da República que permita combater a austeridade.” E a porta-voz do BE frisa que “as sondagens dão mais” do que nas últimas eleições, “mesmo a que dá menos dá igual a 2011”, ano em que o BE teve 5,17% dos votos e elegeu oito deputados. Em 2009, o BE tinha 9,81% e elegeu 16 deputados. Em 2005, com 6,35% obteve oito deputados. Em 2002, com 2,74% elegeu três. Em 1999, com 2,44% elegeu dois.

Apesar de as sondagens indiciarem um crescimento do Bloco, Catarina Martins desvaloriza os inquéritos sobre tendência de voto. “Não me impressiono com sondagens, é certo que são um trabalho de campo, mas não são fiáveis, uma vez que a abstenção real é muito superior à abstenção que transparece nelas. Isso faz com que as sondagens não tenham grande consistência”, afirma.

A porta-voz do BE sublinha ainda que as expectativas do seu partido não seguem o que “tem sido a recepção nas ruas”, já que, “se o resultado fosse pela recepção, seria espectacular”. Isto, porque, garante, “percebe-se nas pessoas que há um cansaço com o bloco central”. E frisando que “há condições para o Bloco de Esquerda crescer”, conclui: “Tenho a convicção de que vamos aumentar muito em percentagem fora dos centros urbanos, pode não transparecer em eleitos já. Mas há muito trabalho local que tem sido feito pelo BE.”