A utilização é bastante mais prática, já que exige apenas uma aplicação semanal DR
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A utilização é bastante mais prática, já que exige apenas uma aplicação semanal DR

Novo mini adesivo contraceptivo no mercado português em Novembro

Adesivo de baixa dosagem, pequeno, transparente e com baixos efeitos adversos é uma "solução eficaz para todas as mulheres". Há dez anos que não havia qualquer evolução na área dos adesivos contraceptivos

Baixa dosagem, poucos efeitos adversos e esteticamente interessante. O novo mini adesivo contraceptivo, no mercado português a partir de Novembro, é indicado para "todas as mulheres que procuram contracepção hormonal eficaz" e pode ser uma arma contra esquecimentos na toma: "É particularmente vantajoso para mulheres que se esquecem de tomar a pílula com alguma frequência, diminuindo a eficácia. Um método impecável e muitíssimo prático para a mulher jovem", considera o especialista em ginecologia e obstetrícia Vítor Gomes.

Este contraceptivo transdérmico — que põe fim a um jejum de dez anos no que a evolução na área dos adesivos contraceptivos diz respeito — é um método de contracepção hormonal combinada, como as pílulas mais recentes, mas tem a vantagem de a libertação hormonal ser constante e não feita em picos de 24 horas. "A dose hormonal circulante é quase duas vezes menor do que a utilizada em pílulas de baixa dosagem", explica Vítor Gomes. Por esta razão, os efeitos adversos — já diminutos em pílulas avançadas — são ainda mais reduzidos com este adesivo de baixa dosagem que combina estradiol e gestodeno.

A utilização é "bastante mais prática", já que exige apenas uma aplicação semanal (durante três semanas seguidas e com uma de pausa), em contraponto com a pílula de toma diária. Comparativamente com o anel vaginal, o mini adesivo exige mais cuidado de manutenção (o anel é colocado apenas uma vez por mês), mas ganha pontos quanto ao modo de colocação. "O anel exige manipulação da vulva e da vagina pela mulher para aplicar e retirar, o que faz confusão a algumas pessoas", avalia o médico.

A evolução estética deste adesivo relativamente ao anterior existente no mercado foi grande. Com apenas 3,7 centímetros, o novo contraceptivo "pode ser aplicado no braço, junto ao ombro, na nádega ou na barriga" e deixa de ser um problema na hora de vestir o biquini, mesmo porque é transparente e mais fino. Com uma matriz de cinco camadas, o adesivo evita, por exemplo, que os ultravioletas atinjam a pele na zona onde está a libertar hormonas, "uma das principais inovações da tecnologia industrial do medicamento".

Pouco usado mas em crescimento

A adesão das mulheres portuguesas à contracepção transdérmica é ainda pouco relevante quando comparada com outros métodos, mas está em crescimento. O estudo "Avaliação das Práticas Contraceptivas das Mulheres em Portugal 2015" — delineado pela Sociedade Portuguesa de Ginecologia e Sociedade Portuguesa de Contracepção, com o apoio da multinacional farmacêutica Gedeon Richter — concluiu que o adesivo é um dos métodos com maior índice de confiabilidade entre as mulheres (57,8%), mesmo acima de pílula.

Apesar disso, é ainda este método mais ainda o preferido da maioria (58,1%). "A nós, clínicos, às vezes custa-nos perceber como é que o uso destes contraceptivos [como o mini adesivo] não é maior, tendo uma utilização tão prática e menos efeitos indesejados", admite Vítor Gomes. Possível explicação: "A pílula ainda é aquilo que as mulheres conhecem melhor. O adesivo não é um hábito e, por isso, enquanto não se adquirir confiança, ou pelas amigas ou por experiência profissional, a mulher põe sempre em dúvida se é eficaz."

O preço mensal deste novo mini-adesivo deverá rondar os 12 euros, o que é aproximadamente o mesmo das pílulas com baixa dosagem mais recentes ou do anel vaginal. "Uma mulher que precisa de contracepção eficaz tem aqui um bom método contraceptivo, que compensa algum pequeno sacrifício [financeiro] quando comparado com a utilização de uma pílula antiga", que, também por serem comparticipadas, são mais baratas.

A esmagadora maioria das mulheres sexualmente activas usam contracepção (94%) e é o médico quem maioritariamente aconselha qual o método a utilizar, concluiu o estudo acima citado. Entre as mais jovens, a internet e os amigos tornam-se nas fontes de informação privilegiadas. O uso da contracepção melhorou a qualidade de vida de 81% das mulheres inquiridas.