Para Catarina Martins, “o PS é a desilusão destas eleições”

A arruada do Bloco no Parque das Nações foi aquela que, até agora, reuniu mais apoiantes.

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Fotos Miguel Madeira
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Entre outras razões, porque levou as pessoas a acreditarem que iria combater a austeridade e agora anda “aflito” a pedir maioria absoluta sem sequer conseguir explicar o programa. Catarina Martins aproveitou mais uma vez para contrariar a lógica do voto útil, considerando “o voto útil é o nome artístico do bloco central”. Além disso, e sobre os pedidos de maioria absoluta que as principais forças políticas – direita e PS – têm feito, defendeu que “ter maioria absoluta não resolve nenhum problema do país”.

A candidata não deixou ainda de responder a Passos Coelho – que acusou o líder socialista António Costa de preparar um “governo extremista”, de aliança com a esquerda de forma a impedir a coligação de tomar posse. “Extremismo, caro Pedro Passos Coelho?” E devolveu os adjectivos: o actual executivo é que foi “Governo mais extremista e ideológico” em 40 anos de democracia.

Sobre a coligação de direita, resumiu: “Não há PaF, nem Puf.” Acusou a direita de transformar a pobreza “num gigantesco negócio” e de ter mesmo escolhido a via do empobrecimento. O que “aconteceu no nosso país e na Europa” é “o sonho da direita”. E pela primeira vez usou a metáfora do conto de crianças não para descredibilizar quem se opõe à austeridade, como têm feito sistematicamente as forças da direita, mas para criticar quem defende o conto de crianças que foi a austeridade e que não resultou.

A porta-voz considerou ainda que uma solução para o país “precisa de toda a gente”. E disse que o PS não quer conversas nem compromissos com o BE, porque não quer, por exemplo, reestruturar a dívida. E não o quer, porque já está comprometido com o Tratado Orçamental, com a chanceler alemã Angela Merkel e quer manter a estratégia de subserviência em relação a Bruxelas, acusou. E perguntou a quem ajudará o compromisso do líder socialista António Costa de facilitar despedimentos ou congelar pensões, para que não queira agora falar com a esquerda.

Num discurso em que não faltaram referências literárias, Catarina Martins falou na novilíngua – idioma que faz parte da obra 1984 de George Orwell – que existe nesta campanha, na qual PSD e PS tentam ter diferenças, mas não têm assim tantas. E citou ainda Peter Bichsel, com o conto Uma mesa é uma mesa, no qual a personagem troca os nomes do que o rodeia. Por exemplo: a mesa passa a chamar-se cadeira, a televisão autoestrada… Ninguém o entendia, disse Catarina Martins. É deste “pobre homem” que se lembra quando ouve o líder do CDS, “o irrevogável”, dizer que quer estabilidade, Passos Coelho dizer que quer combater as desigualdades sociais ou o PS a chamar aos despedimentos “regime conciliatório”. Mas o Bloco cá está para desmontar a ficção, garantiu a porta-voz, naquele que foi, segundo a organização, o maior almoço-comício da história do Bloco e que terá juntado perto de duas mil pessoas. Entre elas Francisco Louçã, João Semedo, Marisa Matias, José Soeiro e Fernando Rosas.

Críticas ao PCP
Muitas críticas aos socialistas, naturalmente à coligação de direita, mas desta vez nem o PCP escapou: no discursos que fez, o número dois por Lisboa Pedro Filipe Soares perguntou onde estavam não só os socialistas, mas também os comunistas quando o Bloco decidiu ir ao Tribunal Constitucional pedir a fiscalização do corte dos salários.

Pedro Filipe Soares acusou Passos Coelho de andar agora com “falinhas mansas” com os pensionistas, quando não os protegeu. É um “lobo em pelo de cordeiro”, porque continuará a seguir a política de austeridade. Mas este bloquista está confiante que, no dia das eleições legislativas, a 4 de Outubro, “o galo deixará de cantar e passará a ser o canto do cisne”. “Não haverá maioria absoluta”, acrescentou.

E contou uma história que ouviu muitas vezes em “pequenino” e que “simboliza muito do que temos na nossa sociedade”. Era uma vez uma assembleia dos animais que se reuniram na selva. Os leões mandavam, mas os outros animais, que eram a esmagadora maioria, queriam igualdade. “Mas o que é que vocês querem? Igualdade. Porquê? Onde estão os vossos dentes, onde estão as vossas garras? (…) Porque querem igualdade se não são iguais a nós? Se nós é que temos esses dentes e essas garras? Ora, no dia 4 de Outubro, nós dizemos que o nosso voto é a nossa garra”, disse.

A número um por Lisboa, Mariana Mortágua, também recorreu a uma metáfora da infância para se referir ao que está em causa nestas eleições. Falou do “jogo do preferias”, ao qual as crianças costumam brincar. Basicamente o desafio é escolher entre duas situações, sendo que ambas são sempre muito más. “Este tem sido o jogo da democracia portuguesa ao longo dos últimos anos”, disse, aludindo ao facto de os governos alternarem entre PSD e PS.

Também Mortágua atacou os socialistas que acusou não só de políticas de direita, como de terem recusado o desafio que Catarina Martins fez a António Costa para um entendimento. Para esta bloquista, o PS faz uma campanha baseada “no medo” em relação a Passos Coelho, o “único e grande argumento” que têm. A diferença entre a coligação de direita e o PS é esta: “Preferes um governo que impõe mais austeridade para cumprir o défice ou um governo que impõe mais austeridade para cumprir o défice?”.

Depois do almoço-comício, a caravana do Bloco foi até ao Parque das Nações, foi arruada que mais apoiantes juntou até agora nesta campanha. Catarina Martins cumprimentou as pessoas e ouviu alguns dos já habituais elogios ao desempenho que teve no Parlamento. Ao som da banda, a caravana desfilou e gritou: “Deixe passar, deixe passar, sou do Bloco e o mundo vou mudar.”

 Para Louçã, o Bloco é um partido que conseguiu “renascer”