Inquérito diário: Indecisos aumentam a uma semana das eleições

Na projecção com distribuição de indecisos, a coligação de Passos e Portas tem 5,1 pontos de vantagem sobre o PS de António Costa.

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O número de indecisos e de indivíduos que se recusam a responder tem vindo progressivamente a aumentar desde a divulgação, em 22 de Setembro, do primeiro inquérito diário da Intercampus para o PÚBLICO, a TVI e a TSF. Na sétima entrega deste estudo, na projecção com indecisos, 22,8% dos inquiridos. afirmam não saber em quem vão votar ou recusam revelar a intenção de voto.

Este valor é o mais elevado da série, depois de nas primeiras três entregas este nível se ter situado sempre abaixo dos 20%. O resultado do trabalho de campo de hoje, realizado entre 23 e 26 de Setembro num total de 1025 entrevistas, marca o nível mais elevado desta categoria.

Entre o primeiro estudo e o inquérito mais recente, os indecisos passaram de 18,5 para 22,8%, ou seja, cresceram 4,3 pontos percentuais. Esta tendência foi, assim, sempre em crescendo.

Mais homogéneo é o comportamento dos inquiridos que afirmaram não irem votar. Ou seja, que já decidiram optar pela abstenção. No primeiro estudo, num universo de 753 entrevistados, 55 admitiram esta opção. Este número, segundo exercício do PÚBLICO, corresponde a 7,3% dos inquridos. No inquérito que hoje divulgamos, em 1025 entrevistados, 75 declaram não votar, ou seja, os mesmos 7,3%. Pelo meio, a percentagem de inquiridos que se declararam abstencionistas variou entre um mínimo de 6,4% e um máximo de 7,6%.

Quanto aos resultados por partido, a projecção com distribuição de indecisos continua a ser liderada por Portugal à Frente (PaF), a coligação do PSD e do CDS/PP. A PaF obtém 38,1%, conseguindo uma vantagem de 5,1 pontos para o PS, que alcança 33%. Esta é, até agora, a maior vantagem da força liderada por Passos Coelho e Paulo Portas face aos socialistas de António Costa.

Veja a evolução desta tracking poll

Em terceiro lugar, está a CDU, a coligação do PCP com Os Verdes, com uma projecção de nove por cento, uma décima mais do que na véspera. Já o Bloco de Esquerda mantém-se nos 6,7%. A distribuição de votos noutros partidos cai 0,4 pontos, para 4,1%, e a percentagem de brancos e nulos também desce meio ponto, passando a ser de 9,1%.

Por faixa etária, a coligação governamental lidera em todos os três segmentos considerados – 18 a 34, 35 a 54, e 55 e mais anos. Na distribuição geográfica, a força de Passos e Portas está à frente no Norte, Centro, Lisboa e recupera o Algarve aos socialistas. Pelo que o PS de Costa só lidera no Alentejo.

Entre as forças sem representação parlamentar, o Partido Democrático e Republicano (PDR) de Marinho e Pinto mantem-se à frente. Existe um triplo empate no segundo lugar, entre o Livre/Tempo de Avançar de Rui Tavares e Ana Drago, o PCTP/MRPP de Garcia Pereira e o Pessoas, Animais e Natureza (PAN).

Depois de nos primeiros inquéritos aparecer eleitoralmente desapercebido, o Livre tem vindo em recuperação. Movimento de sentido contrário é o do PCTP/MRPP. Contudo, trata-se de um pequeno universo, pois o número de respostas favoráveis é de oito a quatro. Donde, o seu significado é restrito.

Ficha técnica
Sondagem realizada pela Intercampus para TVI, PÚBLICO e TSF com o objectivo de conhecer a opinião dos portugueses sobre diversos temas da política nacional incluindo a intenção de voto para as próximas eleições legislativas de 2015. O universo é constituído pela população portuguesa, com 18 e mais anos de idade, eleitoralmente recenseada, residente em Portugal continental. A amostra é constituída por 1025 entrevistas, recolhidas através de entrevista telefónica, através do sistema CATI (Computer Assisted Telephone Interviewing). Os lares foram seleccionados aleatoriamente a partir de uma matriz de estratificação que compreende a Região (NUTS II). Os respondentes foram seleccionados através do método de quotas, com base numa matriz que cruzou as variáveis Sexo e Idade (3 grupos). Os trabalhos de campo decorreram entre 23 e 26 de Setembro de 2015. O erro máximo de amostragem deste estudo, para um intervalo de confiança de 95%, é de ± 3,1%. A taxa de resposta obtida neste estudo foi de: 58,1%.

O que é uma tracking poll
Uma tracking poll é um inquérito diário, que, mais do que os números do dia, indica a evolução das tendências de subida e descida das intenções de voto nos partidos. Trata-se de um exercício com longa tradição nos Estados Unidos e que ganha especial relevância num cenário de grande imprevisibilidade de resultados.

“As sondagens são retratos do momento”, explica António Salvador, director-geral da empresa de estudos de mercado Intercampus. A tracking poll, por seu turno, é uma fotografia em movimento do impacto da campanha nos eleitores, uma “observação diária das percepções dos portugueses” a partir do estudo de uma amostra em permanente renovação.

No primeiro dia, 21 de Setembro, a Intercampus apresentou os resultados de 750 entrevistas telefónicas. No dia seguinte, foram realizadas mais 250 entrevistas que se somam às anteriores, perfazendo um total de 1000. Posteriormente, todos os dias são somadas outras 250 novas entrevistas e retiradas as 250 menos recentes, mantendo o total de cerca de 1000. O objectivo é renovar a amostra e evitar uma acumulação de respostas que iria diluir as variações diárias das intenções de voto.

A amostra, seleccionada aleatoriamente, é rigorosamente representativa da população de Portugal Continental em termos de género e de idade.

A 29 de Setembro, o PÚBLICO e a Intercampus vão divulgar uma última grande sondagem antes das legislativas de 4 de Outubro, com 1000 inquiridos a simular o voto em urna.

As sondagens são fiáveis em Portugal?