Mensagem contra austeridade aproxima BE de pessoas de todas as idades

Sobre os ataques ao PS, Catarina Martins esclarece que os adversários do Bloco “não são siglas, são políticas concretas”. “A política não são clubes de futebol”, acrescenta.

Foto
Daniel Rocha

O BE tinha garantido que a principal mensagem que levaria para a campanha seria contra a austeridade. E está a cumprir, o que lhe tem permitido chegar a mais pessoas, além do tradicional eleitorado, mais jovem e dos grandes centros urbanos.

Sem qualquer juventude partidária a encher as acções, o único ajuste que o director de campanha Ricardo Moreira pondera fazer é “aprimorar” ainda mais o contacto dos candidatos com diferentes sectores da população, para que possam ir o mais possível para as ruas ouvir e “compreender os problemas”.

A ideia é chegar ao maior número possível de pessoas e de todas as idades. Por isso, tanto fazem uma arruada pelos bares do Porto à noite, distribuindo postais sobre a legalização da canábis, como visitam um mercado em Miranda do Corvo.

A austeridade e os casos da banca aproximaram o BE de pessoas de diferentes faixas etárias e daquelas com quem se cruza nas feiras. O estilo descontraído, sem fatos ou gravatas, do Bloco já não afasta o eleitorado mais velho. Pelo contrário: quando participa nas arruadas, a cabeça de lista por Lisboa, Mariana Mortágua, colhe elogios por ter enfrentado as elites do país na comissão de inquérito do BES.

“Estivemos com uma cooperativa de agricultores em Moimenta da Beira, da mesma forma que fizemos uma arruada na noite do Porto, sobre a necessidade de desenvolver a legislação da canábis”, diz Ricardo Moreira para quem já não existe qualquer “hiato” entre o BE e as pessoas mais velhas ou que vivem fora dos grandes centros urbanos.

“As pessoas preocupam-se com a sua pensão, com a sua vida no futuro e compreendem que o BE tem uma proposta forte e clara sobre essas matérias. Por isso, é natural que hoje consigamos falar com muito mais pessoas do que aquilo que era o tradicional eleitorado do BE”, reconhece.

Ao longo da campanha, os ataques políticos que os bloquistas têm desferido não se dirigem só à coligação Portugal à Frente, incluem também o PS, partido com o qual estão disponíveis para soluções de Governo desde que ceda em questões como pensões, trabalho ou Segurança Social.

“Estamos aqui, porque achamos que não se pode cortar mais em pensões, não se pode tornar ainda mais baratos os despedimentos, não se pode continuar a desvalorizar o trabalho. Os nossos adversários na campanha não são siglas, são políticas concretas”, diz Catarina Martins ao PÚBLICO, acrescentando que “o que interessa são as soluções” para o país. “A política não são clubes de futebol, não são as siglas que valem.”

Não há, assim, comício em que o BE não tente desmontar o apelo ao voto útil. A ideia é a de que votar nos partidos da austeridade, nos quais incluem o PS, é que é inútil. “O BE tem dito que o voto útil é aquele que é capaz de transformar a maneira como o país está a viver. O voto no BE é que é útil, porque permite essa transformação. E aquilo que temos visto, com o avançar da campanha, é que mais e mais gente consegue ver no BE essa capacidade transformadora”, diz o director.

Ao longo da semana, Catarina Martins escusou-se sempre a comentar as sondagens que foram saindo. Argumenta que são falíveis e que valoriza “muito mais o contacto com as pessoas”. Nas ruas, é a porta-voz quem mais se tem destacado, embora tenha surgido acompanhada de vários rostos do Bloco, como Mariana Mortágua, Pedro Filipe Soares, Joana Mortágua, José Pureza, Jorge Costa ou a eurodeputada Marisa Matias.

Balanço da primeira semana de campanha
*Coligação PSD/CDS quer reconquistar eleitorado tradicional com “afecto”
*PS: Uma arruada a cada 7 horas na recta final da campanha
*PCP: Levar o protesto até ao voto para dar “banhada” ao Governo