Depósitos sobem na Grécia pela primeira vez após saída de 43 mil milhões

Travão à fuga de capitais à boleia das empresas. Depósitos dos particulares ainda estão em queda.

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O controlo de capitais ainda está em vigor, mas com menos limitações MARKO DJURICA/Reuters

Os depósitos confiados aos bancos na Grécia aumentaram em Agosto pela primeira vez este ano, mas continuam muito aquém dos valores anteriores ao pico da fuga de capitais. O aumento ligeiro que se verificou nos depósitos em Agosto só foi possível porque houve um reforço do lado das empresas. Entre os particulares a tendência de queda mantém-se, mesmo depois da imposição do controlo aos movimentos bancários.

As estatísticas mais recentes do Banco da Grécia, actualizadas na sexta-feira, mostram um aumento mensal dos depósitos do sector privado de mil milhões de euros. É a primeira vez, em 11 meses, que se regista uma subida. O valor conjunto de particulares e empresas passou de 120.833 milhões de euros em Julho para 121.138 milhões em Agosto. O crescimento é de apenas 0,25%, estando longe de representar uma tendência firme de recuperação.

Com a entrada em vigor do controlo aos movimentos de capitais no final de Junho (restrições aos levantamentos nos multibancos a 60 euros por dia, fecho temporário dos bancos, limites às transferências para o estrangeiro), conseguiu ser estancada a trajectória acelerada de fuga de dinheiro do sistema bancário.

O movimento de queda durava desde Outubro do ano passado e intensificou-se de forma vincada a partir de Janeiro, depois das primeiras eleições legislativas que deram origem à coligação entre o Syriza e os Gregos Independentes e que marcaram o início de um longo processo de negociações entre Atenas e os parceiros europeus.

Num ano, sempre com a ameaça de saída do euro a pairar, saíram 43 mil milhões de euros de depósitos das instituições financeiras do país. Entre Agosto de 2014 e Agosto deste ano houve uma queda de 26% (os 121 mil milhões comparam com um nível de depósitos de 164,4 mil milhões um no antes).

Em 2015, a queda mais acentuada aconteceu logo no início do ano, com uma diminuição dos depósitos de 7% (passaram da barreira dos 160 mil milhões em Dezembro para 148 mil milhões no primeiro mês do ano). Nos meses seguintes, a rota de queda continuou sem interrupção, atingindo um novo pico de descida próximo dos 6% em Junho (para 122, 2 mil milhões de euros).

A forte corrida aos levantamentos e a saída de dinheiro do sistema financeiro intensificaram-se enquanto o Governo de Alexis Tsipras e os parceiros da zona euro mantinham o braço-de-ferro que culminaria no colapso das negociações e na convocação do referendo de 5 de Julho.

A partir daí, o controlo de capitais permitiu segurar a saída de capitais. Em Agosto assistiu-se a um aumento mensal de 7,5% no montante dos depósitos das empresas, passando de 17,9 mil milhões para 19,3 mil milhões. Mas a diferença face a Agosto do ano anterior, quando o valor depositado era de 28,2 mil milhões, é de -32%.

No caso dos depósitos dos particulares, a tendência de queda apenas abrandou. Em Agosto, o valor registado nos bancos era de 101,8 mil milhões de euros, menos mil milhões do que um mês antes (uma queda de 1%).

O controlo de capitais ainda está em vigor, mas com menos limitações. Os bancos reabriram a 20 de Julho e o tecto às transferências bancárias para o estrangeiro aumentou entretanto de 3000 euros para 8000, continuando a haver limites aos levantamentos nas caixas multibanco.

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