Ruy Belo: uma poesia que gostava de ir ao cinema

Sessão especial no Monumental, em Lisboa, celebra o profundo impacto do cinema na obra do poeta de Esplendor na Relva.

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TERESA BELO

O filme é, claro, Esplendor na Relva (1961), de Elia Kazan, que exerceu sobre Ruy Belo, escreve João Bénard da Costa, “uma paixão tão devastadora” como a que no filme uniu os dois adolescentes. Em Homem de Palavra(s), de 1969, o livro de Ruy Belo mais notoriamente marcado pelo cinema, o poeta dedica à personagem interpretada por Natalie Wood um notável soneto, que abre com esta quadra: “eu sei que deanie loomis não existe/ mas entre as mais essa mulher caminha/ e a sua evolução segue uma linha/ que à imaginação pura resiste”. E um pouco adiante este arrepiante parêntesis: “(e aquele que no auge a não olhar/ que saiba que passou e que jamais// lhe será dado ver o que ela era)”.

O cinema teve um impacto profundo na obra de Ruy Belo, que não se resumia apenas aos poemas em que expressamente evoca filmes e actores, como Humphrey Bogart, Na morte de Marilyn, No way out (título original de Falsa Acusação, de Mankiewicz) ou Vício de matar, escrito a pretexto do filme de Arthur Penn sobre Billy The Kid. É esta relação do poeta com a sétima arte que serve de mote à sessão especial Ruy Belo. ‘Talvez um dia eu entre no cinema’ que o Medeia Monumental apresenta esta segunda-feira em Lisboa, a partir das 21h. A sessão abre com uma leitura de poemas de Ruy Belo pelo actor Pedro Lamares, seguindo-se uma intervenção do ensaísta António M. Feijó sobre A Deanie Loomis de Ruy Belo e a exibição de um breve filme familiar de Luís Filipe Lindley Cintra, rodado em Vila do Conde com Ruy Belo e Teresa Belo: O lugar onde o coração se esconde. Depois do intervalo, a noite fecha com a projecção do filme Esplendor na Relva