Portugal ultrapassa China e recupera liderança nas exportações para Angola

Dados do segundo trimestre mostram que queda dos produtos chineses foi superior à dos portugueses.

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Daniel Rocha

Mesmo assim, esta alteração apenas ocorreu porque as exportações de bens chineses para o mercado angolano sofreram uma queda mais expressiva do que as de produtos portugueses. Angola está a comprar menos devido à crise económica que atravessa (por causa da queda dos preços do petróleo). Face ao primeiro trimestre, a variação relativa aos bens vendidos por empresas portuguesas foi de -4% (-20% em termos homólogos), e, no caso das empresas chinesas, foi de -46,6% (-9,6% em termos homólogos). 

Por outro lado, se os cálculos forem feitos em termos semestrais, é a China quem ainda detém a liderança nas relações comerciais com Angola, já que o primeiro trimestre foi bastante expressivo. Somando os dois trimestres, as vendas de produtos chineses chegaram aos 165.112 milhões de kwanzas, contra os 137.272 milhões de Portugal.

Já no caso da Coreia do Sul, que surgiu de forma extraordinária no topo dos abastecedores do mercado angolano nos primeiros meses do ano, os dados do INE vieram confirmar que havia um efeito extraordinário, passando agora para a 12ª posição.
A maior parte das compras feitas por Luanda estão relacionadas com máquinas e com produtos agrícolas e alimentares, mas o leque de importações é bastante vasto. Já as exportações continuam a basear-se quase exclusivamente no petróleo (97,9% do total). O facto de a China se apresentar como o principal cliente do petróleo angolano acaba por colocar as relações comerciais com Angola num patamar mais elevado face a Portugal, quando se olha para as trocas comerciais. Portugal surge apenas na sétima posição no ranking de clientes de Angola e, ao contrário do que sucede com a China, a balança comercial é positiva para a economia portuguesa.

Em Agosto, o governo angolano e representantes do executivo chinês assinaram um acordo monetário ao abrigo do qual as respectivas moedas nacionais passam a ser aceites em ambos os países. A medida vai facilitar as compras de produtos chineses por parte de Angola, ao mesmo tempo que este país consegue contornar o efeito de escassez de divisas internacionais provocado pela crise.