Volkswagen arrisca multa pesada por enganar o regulador

Veículos da marca tinham software que impedia a medição correcta de emissões. CEO já pediu desculpa.

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Martin Winterkorn pediu desculpa aos clientes

Em causa, está um relatório publicado na sexta-feira pela Agência de Protecção Ambiental dos Estados Unidos que acusa a Volkswagen de enganar os inspectores que efectuaram testes às emissões tóxicas produzidas por veículos da marca. De acordo com o regulador, o fabricante incluiu nos modelos um software que desliga o controlador de emissões quando os automóveis estão a ser utilizados normalmente. O controlador apenas funciona, reduzindo as emissões, quando o veículo é sujeito a um teste. Isto significa que, apesar de passarem nos testes, os carros da Volkswagen quando chegavam à estrada acabavam mesmo por poluir a atmosfera mais do que aquilo que seria permitido.

A acusações tão graves a empresa alemã reagiu este domingo, primeiro com uma confissão: “Admitimos isso ao regulador. É verdade. Estamos activamente a cooperar com o regulador”, afirmou um porta-voz da construtora automóvel, citado pela Reuters.

Logo a seguir, veio o pedido de desculpa, apresentado pelo CEO da Volkswagen, Martin Winterkorn. “Pessoalmente , lamento profundamente que tenhamos quebrado a confiança dos nossos clientes e do público”, disse num comunicado publicado pela empresa, garantindo de imediato a Vokswagen lançou já uma investigação externa ao assunto. Não foram dados detalhes contudo sobre quem irá realizar a investigação.

Do lado da Agência de Protecção Ambiental, o próximo passo é já o da aplicação de uma multa. Os montantes podem ser muito significativos, mesmo para uma empresa com a dimensão da Volkswagen.

Por cada veículo que se verifique esteja em incumprimento dos limites de emissões tóxicas, a empresa pode ter de enfrentar uma multa de 37.500 dólares (cerca de 33.200 euros). A agência calcula que haverá vários veículos de quatro cilindros com a marca Vokswagen e Audi, produzidos desde 2008, que se encontrem nesta situação.

Se o incumprimento se verificar em todos eles, a multa total a suportar pode chegar aos 18 mil milhões de dólares (cerca de 16 mil milhões de euros).

O sector automóvel tem vindo a ser, em vários continentes alvo de multas pesadas por causa de defeitos de fabrico que, em alguns casos, contribuíram decisivamente para acidentes com feridos e vítimas mortais.

Um caso como este, envolvendo tentativas de passar informação errada aos reguladores ambientais, é no entanto completamente original, havendo muitos analistas que, nesta fase, não se arriscam a prever as consequências que poderá vir a ter para o construtor.

Talvez por isso, de forma rápida, o CEO da rival Daimler Dieter Zetsche, decidiu esclarecer que a sua empresa não deverá ter o mesmo tipo de problemas. “Tenho uma ideia daquilo que se está a passar e sei que não se aplica a nós”, afirmou.