O “partido da mãozinha” pede votos para evitar “vitória por poucochinho”

O discurso de António Costa foi aquecendo ao longo do dia, terminando em Évora a pedir uma “maioria absoluta”

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Fotos Paulo Pimenta
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Já a primeira saída à rua do dia de António Costa se aproximava do fim, quando o secretário-geral do PS deixou escapar para o lado o seu optimismo em relação ao apoio popular. “Em 79 com a AD não se conseguia entrar aqui”, disse para o deputado Jorge Lacão na avenida da Igreja, em Alvalade.

A tirada foi um exemplo do optimismo que fez questão de manifestar ao longo do dia. Em Lisboa, Queluz, Odivelas e Évora, o líder socialista recorreu a todos os argumentos e a todas as expressões para pedir aos eleitores uma “maioria absoluta” – como exigiu em Évora - para o PS.

Essa referência aos primeiros anos da democracia foi escutada apenas por quem estava perto de Costa. Mas em Odivelas, o líder do PS recuperou uma velha expressão soarista no apelo à “vitória clara”. “Quem quer estabilidade, quem quer mudança sem aventuras, sabe que só há um voto efectivo no dia 4 de Outubro. Esse voto é no PS, no partido da mãozinha.” E foi nesse almoço com sindicalistas que recuperou outra expressão que ficou para a hsitória do PS, desta vez mais recente: “É necessário que não ganhemos por poucochinho, como já disse uma vez, quem ganha por poucochinho, só pode fazer poucochinho.” Foi com essa tirada que Costa deu o tiro de partida no seu desafio à liderança de António José Seguro, em Maio de 2014.

O sobressalto de uma maioria de mandatos de direita apareceu a Costa logo durante a sua campanha nas ruas. Em Alvalade, uma transeunte puxou do Expresso para lhe mostrar a primeira página. “É preciso termos mais mandatos”, reconheceu o candidato.

A troca de palavras aconteceu num daqueles momentos em que o líder se escapulia do roteiro da comitiva. Recorrentemente, Costa fugia ao precurso pré-definido, ou do meio da rua em Queluz, onde estava a comitiva, para ir ao encontro dos que se deixavam ficar encostados aos prédios a ver a caravana passar.

Por mais de uma vez, as câmaras de televisão e o aparato da caravana deixavam o candidato cercado mais distante de quem estava na rua. Costa ia tentanto resolver essa dificuldade zigue-zagueando pelos passeios. “Bom dia, muitas felicidades”, disparava repetidamente para quem estava à porta de lojas ou nas esplanadas.

Pelo meio, os operacionais tentavam reencaminhar o candidato. “Depois voltamos à estrada...”, tentava dizer um destes a Costa depois deste se ter escapulido para umas arcadas comerciais. A maioria das pessoas acolhia bem o candidato. “A ver se a gente ganha isto”, disse um empregado numa pastelaria, onde Costa teve a oportunidade de lembrar a promessa de descer o IVA da restauração. Numa loja, uma eleitora agarrou-se a Costa. “Eu tenho um neto e o senhor é que vai salvar o país”, disse. “Nós todos é que vamos salvar o país”, respondeu-lhe o socialista. Em Alvalade, uma apoiante fez questão de comparecer com uma foto de Costa, tipo passe, colada à camisola. Em Queluz, já no final do percurso, o candidato acabou mesmo em ombros.

Contudo, o contacto nem sempre foi uma festa. Em Queluz houve gente e entusiasmo. Só que em Alvalade não foram assim tantas as pessoas com que Costa se cruzou. Em Évora, a praça do Sertório, mais acanhada, significou um comício mais pequeno. Bem diferente das iniciativas nos tempos de Guterres e de Sócrates, onde o PS ocupava o espaço à volta do templo de Diana.

E depois houve ainda as reacções imprevistas que um candidata arrisca na rua. À entrada do mercado de Alvalade, uma senhora de meia-idade perseguiu Costa durante alguns metros enquanto gritava “o seu partido está todo na prisão”. E em Queluz, outra transeunte, depois do cumprimento do candidato, deixou escapar que não o considerava “de esquerda”. O líder socialista já não ouviu a última frase da senhora. “Eu gostava era do Seguro...”