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All Blacks contra tudo e contra todos

A Nova Zelândia é a grande favorita a vencer o Campeonato do Mundo que arranca hoje, mas tem a história contra si

São os detentores do título, os mais mediáticos e têm a melhor matéria-prima, mas será isso suficiente para os All Blacks se tornarem, no próximo dia 31 de Outubro, na primeira selecção a vencer por duas vezes consecutivas um Campeonato do Mundo de râguebi? Embora poucos ousem colocar em causa o superfavoritismo da Nova Zelândia na prova que arranca nesta sexta-feira com o Inglaterra-Fiji (20h00, SportTV5), os neozelandeses serão o alvo a abater por todos e têm também contra si a história: nunca ganharam um Mundial fora do seu país.

 

Pela segunda vez consecutiva, Portugal não estará presente, mas o Campeonato do Mundo de râguebi prepara-se para bater novos recordes e reafirmar-se como um dos maiores eventos desportivos a nível mundial. Organizado pela Inglaterra – o Millennium Stadium, no País de Gales, receberá oito jogos -, a competição deverá este ano ultrapassar a audiência acumulada de 4,2 mil milhões de telespectadores atingida no Mundial 2007. Os impressionantes números não se ficam por aqui: a uma semana do início da prova, 95% dos 2,25 milhões de bilhetes disponíveis para as 48 partidas já estavam vendidos.

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Se na parte organizativa o sucesso está garantido, dentro do relvado aguarda-se uma luta intensa entre uma mão cheia de selecções pela conquista da prova. Por todos os motivos e mais alguns - entre eles o facto de defenderem o título -, a Nova Zelândia surge destacadíssima como favorita, mas os All Blacks continuam sem conseguir provar que podem ser os melhores fora do seu território. Os tempos agora são, porém, outros e a mentalidade neozelandesa é bem diferente. Após sentirem na pele que serem os melhores nem sempre chega nos grandes embates – a derrota nos quartos-de-final, em 2007, contra a França, é um bom exemplo disso -, os All Blacks mudaram o chip e nos últimos anos, contra os principais rivais, os aspectos tácticos deixaram de ser um pormenor e, hoje em dia, já não é de estranhar ver a Nova Zelândia a jogar em função do resultado – algo impensável para a cultura neozelandesa há meia dúzia de anos atrás.

 

 

Incluída no Grupo C, a selecção comandada por Steve Hansen fará a estreia no domingo, em Wembley, contra a Argentina. Os Pumas, liderados por Daniel Hourcade, são o rival mais difícil dos All Blacks e apenas uma enorme surpresa evitará que neozelandeses e argentinos se apurem para os quartos-final. O primeiro jogo do grupo será, no entanto, sábado (12h00) e, indirectamente, interessa muito a Portugal. Com a Namíbia condenada a ser última, quem vencer o embate entre a Geórgia e Tonga assegurará, com quase toda a certeza, a terceira posição no grupo, lugar que garante o apuramento para o Mundial 2019. Se essa posição for para os georgianos, a selecção nacional ficará com o apuramento para o Japão muito mais facilitado.

 

O “grupo da morte” ditará o afastamento precoce de Inglaterra, Austrália ou País de Gales. Os galeses foram há quatro anos a selecção que melhor râguebi jogou até caírem, com injustiça, nas meias-finais, mas o momento de forma dos britânicos não é o melhor e as lesões de Webb e Halfpenny fragilizam muito a formação de Warren Gatland. A Inglaterra, com um grupo jovem, pode acusar a pressão de jogar em casa, enquanto a Austrália é uma incógnita: os Wallabies são capazes do melhor e do pior.

 

O último lugar no Rugby Championship disputado em Junho e Julho coloca, em teoria, a África do Sul fora da luta, mas desvalorizar os Springboks será um tremendo erro. Com uma equipa experiente e especialistas na arte de ganhar a jogar mal, os sul-africanos não vou ter problemas no acessível Grupo B, mas nos “quartos” terão pela frente ingleses, galeses ou australianos.

 

Finalmente, no Grupo D, o Canadá é o elemento estranho num mini-torneio europeu. França e Irlanda são favoritas, mas neste sábado, em Twickenham, se os gauleses facilitaram, a Itália pode surpreender.