Junta da Estrela, em Lisboa, promete tornar almoços nas escolas mais "saborosos"

"As crianças não gostavam da comida, deixavam-na nos pratos", diz o presidente da junta, a primeira de Lisboa a assumir o fornecimento de refeições às escolas do 1.º ciclo.

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Os 350 almoços servidos diariamente nas duas escolas primárias da Estrela vão ser assegurados pela junta de freguesia Jorge Miguel Gonçalves/NFACTOS

A Junta de Freguesia da Estrela vai assumir a gestão e o fornecimento de refeições às duas escolas do 1.º ciclo no seu território, através de um acordo de delegação de competências com a Câmara de Lisboa. Oferecer refeições mais “saudáveis” é um dos objectivos, mas antes disso o presidente da junta sublinha a necessidade de as tornar “saborosas”.

“A situação era muito má. As crianças não gostavam da comida, deixavam-na nos pratos, não comiam”, diz Luís Newton. Assim se explica que o autarca esteja antes de mais empenhado em que os 350 almoços que são servidos diariamente nas escolas Fernanda de Castro e n.º 72 ganhem “gosto, sabor”.

É a partir da próxima segunda-feira que a junta de freguesia vai, nos termos do protocolo firmado com a câmara, assegurar a gestão e o fornecimento das refeições, que além dos almoços incluem pequenos-almoços e lanches. Para isso foram estabelecidas “parcerias” com outras entidades, de entre as quais Luís Newton destaca a Escola de Hotelaria e Turismo de Lisboa, que vai ser “consultora” deste projecto.  

O autarca do PSD diz que numa primeira fase o cardápio não será muito diferente do habitual, embora a sua expectativa seja que a diferença na qualidade se note desde o primeiro dia. Com o passar do tempo, a ideia é que ementas de “aspecto mais conservador, mais tradicional” dêem lugar a outras, em que haja por exemplo dias consagrados à dieta mediterrânica ou à cozinha francesa.

Usar produtos de qualidade na confecção dos alimentos é também um objectivo da junta, que promete introduzir “um leque mais vasto de alimentos” na alimentação das crianças.

Nos termos do protocolo agora celebrado, a freguesia compromete-se a realizar em cada ano lectivo pelo menos três acções na área da alimentação saudável. Entre elas podem estar visitas a “quintas, explorações agro-pecuárias, lotas, arrozais” e a fábricas de transformação de produtos, o desenvolvimento de semanas temáticas, a promoção de acções com participação das famílias dos alunos e de workshops sobre alimentação saudável e hábitos alimentares.

Além disso, vai ser lançada este ano lectivo pela junta uma outra iniciativa na área da alimentação: às crianças vai ser pedido, através de um conjunto de actividades, que ajudem o Fomecas a comer melhor. Trata-se, explica Luís Newton, de uma personagem criada para o efeito, e que representa “uma criança com maus hábitos alimentares”.   

A delegação na junta da Estrela do fornecimento de refeições escolares, que até aqui estava a cargo de uma empresa contratada pela Câmara de Lisboa para o efeito, vai traduzir-se numa transferência de cerca de 255 mil euros. Luís Newton explica que o valor foi estabelecido com base naquele que era o custo das refeições no contrato que estava em vigor e admite que “o principal desafio” que se coloca será pôr em prática o projecto agora assumido com essa verba.

Para além desse valor, haverá “um incremento” feito pela junta. “Se fosse para sermos apenas uns sub-contratados pela câmara não valia a pena”, diz Luís Newton, explicando que a freguesia decidiu investir parte do seu orçamento na realização de obras na cozinha da Escola Básica n.º 72 (onde são também confeccionadas as refeições da Escola Fernanda de Castro) e na substituição de equipamentos aí existentes.

Segundo diz a vereadora da Educação, Graça Fonseca, na proposta que suporta esta delegação de competências, a intenção do município é “alargar este modelo às restantes juntas de freguesia durante o ano de 2016”.

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