Editorial

Prejuízos agora ou depois das eleições?

Já se percebeu que a venda do Novo Banco vai dar prejuízos. Resta saber quanto e quando.

Apesar da apreciação pouco positiva que o Parlamento fez ao trabalho do governador durante a comissão de inquérito ao caso BES, Passos Coelho escolheu renovar-lhe o mandato sobretudo por uma questão pragmática. Carlos Costa tinha conhecimento profundo do dossier e era o único que poderia garantir uma venda rápida do Novo Banco, sem que o processo interferisse na campanha eleitoral. Assim não foi. A venda começou a 4 de Dezembro de 2014, de uma forma promissora, com mais de 15 candidatos a mostrarem interesse, mas rapidamente o entusiasmo esfumou-se. Até que a venda foi abortada.

À recta final só chegaram dois grupos chineses e um fundo de investimento norte-americano que fizeram propostas de compra que avaliam o Novo Banco num valor que nem de perto, nem de longe, garante a devolução da totalidade dos 4,9 mil milhões de euros que o Fundo de Resolução injectou na instituição bancária. Pelo meio, as contas do banco foram-se deteriorando e a crise das bolsas asiáticas obrigou os chineses a reflectir melhor e a não encher o carrinho de compras a qualquer preço. E ainda há a grande interrogação de saber como é que o Novo Banco vai comportar-se nos testes de stress de Novembro.

Com tantas incógnitas, e para não arriscar uma venda ao desbarato, Carlos Costa adia a venda do Novo Banco para uma altura em que haja menos incertezas, tentando maximizar o encaixe. E ao Governo, que no início queria uma venda rápida para se desembaraçar do assunto, agora até lhe dá jeito que o problema seja empurrado com a barriga. A materialização das perdas com a venda do Novo Banco, pelo impacto indirecto que terá nos cofres públicos (via CGD), não assenta bem numa campanha de quem começou por dizer que a venda do ex-BES não iria pesar no bolso dos contribuintes. Já se percebeu que alguma coisa irá pesar; agora ou no futuro. Falta saber quanto e quando.