Crise na Panasqueira já levou ao despedimento de 20% dos mineiros

Japoneses da Sojitz continuam a tentar vender empresa de volfrâmio, a maior da Europa.

Minas da Panasqueira empregam 370 trabalhadores
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Prejuízos da Mina da Paanasqueira já ultrapassam os 2,5 milhões este ano Daniel Rocha

Ainda continua a ser a maior empresa da Europa a produzir tungsténio (ou volfrâmio), minério muito procurado pela indústria de materiais de corte e construção e também pela de armamento. É também a única que se mantém activa em Portugal, e a produzir um minério que a União Europeia cedo identificou, em 2008, como um dos que enfrentava riscos de distorção relativos ao abastecimento europeu, mas que continua a enfrentar a ameaça de encerramento. E, só desde Janeiro deste ano, já perdeu 20% dos seus trabalhadores.

Segundo as informações avançadas ao PÚBLICO pelo presidente da empresa, Alfredo Franco, a Panasqueira iniciou 2015 com 352 funcionários em laboração; e no final de Agosto eram apenas 279. “Continuamos a empreender todos os esforços para minimizar as perdas da empresa, que já totalizam mais de 2,5 milhões de euros este ano”, explicou o gestor, em respostas enviadas por escrito. E se por enquanto não há anúncios de que a empresa vai fechar, há a confirmação de que o único accionista da mina da Panasqueira, os japoneses da Sojitz  Corporation, continua a “envidar todos os esforços para vender”  a mina, estando neste momento em negociações com mais do que um interessado.

Os problemas da mina da Panasqueira estão relacionados com a cotação internacional do tungsténio. Apesar da procura mundial não ter diminuído, a cotação do minério, o Paratungstato de Amónio (APT), o produto produzido a partir do concentrado de volfrâmio, não tem parado de descer, estando sempre abaixo dos 200 dólares por MTU (acrónimo de metric ton unit). Ontem mesmo, a informação dada à delegação sindical que foi recebida pela administração, foi a de uma cotação de APT situada nos 190 dólares quando, segundo Armando Franco, a cotação dita normal, e para a qual “as minas da Panasqueira são rentáveis”, se situa nos 350 dólares.

Os esforços da administração em ajustar a actividade à actual situação dos mercados internacionais já levou a concessionária  a solicitar ao Governo a alteração ao programa de trabalhos para 2015, e a pedir a dispensa de pagar os royalties de exploração a que ficou obrigada a partir de 2012 - e que totalizaram, até agora, 226 mil euros, correspondentes a 0,5 % do valor do minério à boca da mina. Em 2012, a Panasqueira produziu 1364 toneladas, que renderam 25,5 milhões de euros. Em 2014, segundo dados provisórios enviados ao PÚBLICO pela Direcção Geral de Energia e Geologia, as minas da Panasqueira produziram 1070 toneladas, que geraram 18,4 milhões de euros. 

Fonte oficial do Ministério do Ambiente informou que os requerimentos apresentados pela administração da mina ainda se encontra em análise, mas não deixou de sublinhar a importância de manter a mina em laboração, não só pelo impacto que tem na empregabilidade da região mas também pelo facto de a suspensão da actividade poder levar ao alagamento da Mina (é subterrânea,com galerias com centenas de quilómetros), o que impediria a sua reactivação no futuro. 

O encerramento da mina da Panasqueira é algo que o responsável por uma das mais recentes licenças de exploração de tungsténio concedidas pela Direcção Geral de Energia e Geologia, a PPMinerals – que a 20 de Agosto obteve a uma licença para prospecção na Mata da Rainha, a 40 quilómetros da Panasqueira – não quer acreditar.

Richard Emerson, de origem norte-americana, acredita ser possível agrupar um conjunto de pessoas e entidades em Portugal capazes de prosseguir esse objectivo, tendo para tal já desenvolvido esforços acções junto de diversos investidores. Já a sua PPMinerals não está na corrida, uma vez que tem um objectivo centrado em projectos de elevado risco e num estágio de desenvolvimento mais inicial.

Uma das interessadas de que se fala no sector é a canadiana BlackHeath, que, soube o PÚBLICO, enviou uma equipa técnica para visitar as minas nos últimos meses. Neste momento existem muito poucas minas em produção fora da China, país que assegura 84% da produção mundial, sendo a principal responsável pela fixação de preço. O Reino Unido vai em breve fazer uma entrada assinalável na produção de tungsténio, com o início da produção da mina Hermerdon, actualmente em fase de construção, e que prevê produzir 315 mil toneladas.