O Circular mais internacional de sempre – e o Porto ali tão perto

Uma estreia nacional e duas estreias absolutas na 11.ª edição do Festival de Artes Performativas de Vila do Conde.

Fotogaleria
D’après une histoire vraie, do coreógrafo francês Christian Rizzo Marc Domage
Fotogaleria
Volmir Cordeiro em Inês Fernanda Tafner

Volmir Cordeiro, Christian Rizzo e os Forced Entertainment de Tim Etchells, por esta ordem: será a mais internacional de sempre, a 11.ª edição do Circular – Festival de Artes Performativas que o coreógrafo brasileiro abre já na próxima sexta-feira, dia 26, com Inês, a peça em que deixa habitar no seu “pequeno corpo” uma macumbeira na qual se reconheceu. Mas esta será, também, a edição mais interurbana do festival de Vila do Conde, que este ano se associa ao Rivoli, expandindo e atirando para outro patamar, com a navette entre as duas cidades, a relação com o Porto iniciada há um ano com a extensão ao espaço da Mala Voadora.

Espectáculo em estreia nacional, D’après une histoire vraie, em que o coreógrafo francês Christian Rizzo provoca o atrito entre o “popular” e o “contemporâneo”, é o primeiro dos dois pés que o Circular põe este ano no equipamento dirigido por Tiago Guedes, apenas umas horas depois da abertura do festival no Teatro Municipal de Vila do Conde – Intermitências #2 (dia 30), o concerto-performance que junta ao coreógrafo Joclécio Azevedo o músico Kubik (aka Victor Afonso) em mais uma etapa de um work-in-progress, é o segundo.

Com a dupla apresentação da última criação de Sónia Baptista na Mala Voadora (dia 1) e no Auditório Municipal de Vila do Conde (dia 3), completam-se as idas e vindas do Circular ao Porto, que assim espera poder participar activamente na dinâmica mais ou menos imparável que a reabertura do Rivoli trouxe às artes performativas.

“Estamos a experimentar uma nova cidade e Vila do Conde faz parte desta cidade – não só porque está muito próxima como porque os respectivos públicos sempre se relacionaram. Temos pensado muito acerca do que pode ser o futuro desta relação, mas à partida tem um grande valor acrescentado para um festival como o Circular, cuja programação é extremamente experimental e por isso beneficia do ressurgimento da procura e da oferta que o Rivoli tem estimulado nesta zona das artes performativas. E não é só na presença do público que isso se traduz, também se traduz na presença da própria comunidade artística, que regressou à cidade porque voltou a ter aqui trabalho”, explica ao PÚBLICO Paulo Vasques, que partilha a direcção artística do festival com Dina Magalhães.

“Nos últimos dez anos”, compara, “muito do público que tinha sido formado perdeu-se efectivamente e ficámos muito sozinhos: para além de Serralves, não havia estruturas com que pudéssemos estabelecer um diálogo. Visto à distância, foi uma geração inteira de público que se perdeu”.

Sendo mais do Porto do que nunca, o Circular continua porém a ser totalmente de Vila do Conde, onde mantém “um corpo de trabalho activo” e faz decorrer uma parte dos processos criativos (nomeadamente em formato de residência artística) de que acabam por resultar alguns dos espectáculos de cada edição.

Aí apresenta de resto, em data única, um dos acontecimentos desta edição: a longa mas irresistível maratona (seis horas) de perguntas e respostas que é Quizoola!, dos Forced Entertainment (dia 27), numa reposição do espectáculo que Tim Etchells montou em Lisboa para a Bienal Artista na Cidade, com Vera Mantero, Pedro Penim e Jorge Andrade.

Será também em Vila do Conde que o festival retomará o concerto que Jonathan Saldanha concebeu especialmente para a exposição de Ben Rivers no Curtas Vila do Conde, agora adaptado ao icónico espaço da Capela de Nossa Senhora do Socorro; e ali mostrará ainda as duas estreias absolutas desta edição, novas peças de dois dos artistas residentes do Circular: O céu é apenas um disfarce do azul do inferno, de Joana von Mayer Trindade com Hugo Calhim Cristóvão (dia 2), e Autointitulado, de João dos Santos Martins com Cyriaque Villemaux (dia 3).