Torne-se perito

Professores com formação para identificar perturbações psiquiátricas nos jovens

Apenas 10 a 15% das crianças e adolescentes com problemas de saúde mental recebe ajuda, refere Aliança Europeia contra a Depressão em Portugal

Cada turma do básico nas escolas públicas custa em média 70.256 euros ao Estado
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As provas não contam para a nota final dos alunos Enric Vives Rubio

Cerca de 1500 professores vão receber formação para saberem identificar “a diferença entre um comportamento desafiador, mas que é ‘normal’, e atitudes que podem esconder uma perturbação psiquiátrica nas crianças e adolescentes”, refere um comunicado da Aliança Europeia contra a Depressão em Portugal (Eutimia).

O programa WhySchool vai abranger 16 agrupamentos de escolas. O objectivo da formação dos professores é “melhorar a literacia e as aptidões na gestão dos problemas de saúde mental, em particular na identificação de casos, triagem, referenciação e apoio aos casos em risco”. Ao todo, serão beneficiados cerca de 100 mil estudantes, entre os 12 e os 18 anos.

A formação visa “melhorar o acesso dos jovens aos cuidados de saúde mental, já que actualmente apenas 10 a 15 por cento das crianças e adolescentes com problemas de saúde mental recebe ajuda”, lê-se no comunicado da Eutimia.

Para tal, será disponibilizada uma plataforma de e-learning com conteúdos educativos na área da saúde mental dos adolescentes e depressão, dirigidos a professores e educadores e um site para os jovens e encarregados de educação, que serão utilizados pelos professores na sala de aula.

O projecto é financiado no âmbito do programa EEA Grants (linha de financiamento concedida pela Islândia, Liechtenstein e Noruega aos Estados Membros da União Europeia), sendo gerido pela Administração Central do Sistema de Saúde do Ministério da Saúde.

Este programa será apresentado esta quinta-feira na conferência Prevenção do Suicídio: Responsabilidade Partilhada, em Beja, assim como um outro programa nacional de formação que vai dar formação em depressão a 900 médicos de família, enfermeiros, psicólogos e assistentes sociais a trabalhar em centros de saúde. Dois dos seus objectivos são a prevenção do suicídio e a redução do consumo de ansiolíticos, explicou o responsável pelo projecto, o psiquiatra e presidente da Eutimia, Ricardo Gusmão.

Uma das ferramentas do programa nacional envolverá uma plataforma informática que poderá ser prescrita pelo médico de família, sendo dado ao doente um login e palavra-passe, sendo o seu uso acompanhado por um profissional de saúde.

Quando a plataforma informática que pretende ajudar doentes do SNS com depressão foi apresentada, em Maio, a Ordem dos Psicólogos considerou que o seu anúncio “cria expectativas exageradas na população e justificam as políticas de fraco investimento na saúde mental dos cidadãos”.

Na opinião da ordem, afirmar que a aplicação faz psicoterapia é “um abuso de linguagem” e “uma extrapolação da eficácia para aquilo que pode ser um instrumento útil, mas limitado”.

A ordem “reconhece a necessidade de dotar o Sistema Nacional de Saúde dos recursos relevantes à resolução dos problemas da saúde mental dos portugueses”, mas entende que tal deve passar pela “contratação de psicólogos, como uma prioridade.”

Para assinalar o Dia Mundial da Prevenção do Suicídio, este ano sob o lema “Chegar mais Próximo e Salvar Vidas”, a Linha SOS Voz Amiga (21354 45 45; 91 280 26 69; 96 352 46 60) assegura 48 horas de atendimento telefónico contínuo, entre as 00h00 de 9 de Setembro até às 24h00 do dia 10 de Setembro.

A Linha SOS Voz Amiga é um serviço de ajuda telefónica pontual - confidencial, com anonimato -, em situações agudas de sofrimento emocional causadas por solidão, ansiedade, depressão e risco de suicídio.

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