Crianças portuguesas com excesso de peso diminuíram nos últimos três anos

Baixo peso aumentou nos últimos três anos. Estudo avaliou estado nutricional de alunos dos 6 aos 8 anos.

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60% das crianças obesas serão adultos obesos Virgílio Rodrigues

Há boas e más notícias. Portugal continua a ser um dos países com maior prevalência de excesso de peso e obesidade entre os 6 e 8 anos mas diminuiu estes valores nos últimos três anos. Já as crianças desta idade com baixo peso aumentaram. Ana Isabel Rito, investigadora que coordenou o estudo, uma parceria entre o Instituto de Saúde Ricardo Jorge (INSA) e a Direcção-Geral de Saúde, fala de situações de “fome nutricional”.

Portugal continua a ser um dos países europeus com maior prevalência de excesso de peso e obesidade infantil, mas o estudo Childhood Obesity Surveillance Initiative — COSI Portugal dá conta de “uma evolução positiva”.

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Comparando estes dados com os de 2010, a prevalência de excesso de peso e de obesidade diminuiu de 35,7% (2010) para 31,6% (2013) e de 14,7% (2010) para 13,9% (2013), respectivamente. O estudo considera que têm excesso de peso as crianças com um Índice de Massa Corporal acima do percentil 85 e que é obeso quem está acima do percentil 97. Foram as crianças com 8 anos que apresentaram valores médios de excesso de peso mais elevados comparativamente com as de 6 e 7 anos de idade.

Já a prevalência de baixo peso tinha diminuído de 1%, em 2008, para 0,8% em 2010, mas aumentou para 2,7%  em 2013. A especialista considera que, ao contrário do excesso de peso, em que os dados dos últimos 8 anos confirmam a descida, ainda é cedo para dizer que o baixo peso é uma tendência porque apenas compara dois períodos de tempo. A próxima recolha de dados será em 2016.

Os investigadores dão conta da evolução, mas o relatório, que pretende ser matéria-prima para decisores políticos, não dá explicações. Lê-se que deve ser feita “uma observação necessariamente cautelosa dos dados, considerando o contexto das modificações sociais e económicas que se vive actualmente em Portugal”. A palavra crise não é mencionada.

Ana Isabel Rito, do Departamento de Alimentação e Nutrição do INSA, fala de “fome nutricional”, definida como situações em que na sua alimentação “as crianças não recebem os nutrientes necessários para o seu desenvolvimento em saúde”, quer isso se reflicta em peso a mais ou a menos (o baixo peso é definido como Índice de Massa Corporal abaixo do percentil 3). A especialista notou que “os dois lados desta mesma moeda são preocupantes”.

“Preocupa-me o facto de termos uma em cada três crianças com excesso de peso e quase três por cento com baixo peso para a idade”, disse, acrescentando que, “muito provavelmente, estarão relacionadas com as questões socioeconómicas que as famílias têm vindo a passar nos últimos anos”.

O COSI Portugal avaliou 5935 crianças com 6, 7 e 8 anos de 196 escolas do 1.º ciclo do ensino básico. Foi escolhido este grupo etário alvo  “porque precede a puberdade e é fundamental para prever a obesidade na idade adulta.”

O relatório refere que, a obesidade infantil é, actualmente, a doença pediátrica mais prevalente ao nível mundial. Explica-se que é factor de risco para diversas doenças crónicas, tais como a diabetes tipo II, hipertensão arterial, apneia do sono doenças ortopédicas, certos tipos de cancro e problemas do foro psicossocial, incluindo discriminação, isolamento social e baixa auto-estima. Para além disto, estima-se que mais de 60% das crianças obesas serão adultos obesos.

Ana Isabel Rito considera que os bons resultados na diminuição do excesso de peso são sinal de que “as famílias conhecem melhor o problema. Percebem que a obesidade é uma doença”. “Ainda há muito a fazer, principalmente do apoio a estas famílias no sentido delas conhecerem os alimentos mais interessantes – que não são necessariamente os mais caros – para a saúde dos seus filhos. E este é o passo que temos de dar a seguir”, disse a responsável à Lusa.

A especialista diz que “as escolas têm feito um trabalho magnífico”. O relatório refere, a título de exemplo, a região Norte, onde houve diminuição da prevalência de excesso peso, e onde tem ocorrido, dizem os autores, “promoção de uma alimentação saudável (concretamente com a implementação do Programa Regional PASSE - Programa de Alimentação Saudável em Saúde Escolar). Esta iniciativa incide, por exemplo, no serviço de alimentação escolar, de modo a que a oferta esteja de acordo com as recomendações nutricionais.

Os países da Europa central e de Leste têm vindo a apresentar menores prevalências de excesso de peso e obesidade comparativamente com os dada bacia mediterrânica, onde Portugal se inclui, sendo um dos 5 países da região europeia com maior prevalência de obesidade infantil. A par com a Grécia, Itália e Espanha, mais de 30% das crianças portuguesas entre os 7 e os 9 anos de idade apresenta excesso de peso nas quais cerca de 14% apresenta obesidade.