Al-Qaeda sugere aproximação ao Estado Islâmico, apesar de o considerar ilegítimo

Ayman al-Zawahri, sucessor de Osama bin Laden, afirma que a luta contra o Ocidente e xiitas é o mais importante e que, se estivesse na Síria e Iraque, colaboraria com o Estado Islâmico.

O jihadistas do Estado Islâmico já colaboraram no passado com o satélite da Al-Qaeda na Síria
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O jihadistas do Estado Islâmico já colaboraram no passado com o satélite da Al-Qaeda na Síria Tauseef Mustafa/AFP

O líder da Al-Qaeda sugere num comunicado publicado nesta quarta-feira que o seu grupo pode colaborar no futuro com o autoproclamado Estado Islâmico no combate ao Ocidente e comunidade xiita, apesar de não reconhecer a legitimidade do seu suposto califado.

“Apesar dos grandes erros [do combatentes do Estado Islâmico], se eu estivesse no Iraque ou Síria cooperaria com eles na matança dos cruzados e secularistas e xiitas”, afirma Ayman al-Zawahri, citado pela Reuters.

Apesar de só agora ter sido divulgado, o registo de áudio do sucessor de Osama bin Laden parece ter sido gravado há cerca de oito meses, segundo escreve a agência de notícias. Nele, al-Zawahri fala só brevemente dos extremistas na Síria e Iraque, mas garante que o líder do grupo, Abu Bakr al-Baghdadi, não é o califa que diz ser.

“Não reconhecemos o califado de Abu Bakr al-Baghdadi”, comunica o líder da Al-Qaeda e sucessor de Osama bin Laden, que explica também que nenhum muçulmano se deve sentir obrigado a juntar-se aos extremistas que controlam vastos territórios na Síria e Iraque.

Mas há um senão. “Mesmo que não reconheça a legitimidade do seu Estado, a questão é maior do que isso”, conclui al-Zawahri, naquela que é, até ao momento, a sua segunda mensagem neste ano.

O Estado Islâmico colaborou no passado com o braço da Al-Qaeda na Síria, a Frente al-Nusra. Mas, no final de 2013, depois de uma tentativa falhada do suposto califa al-Baghdadi englobar o satélite da Al-Qaeda nas suas fileiras, os dois grupos tornaram-se rivais. A excepção é a batalha pelo campo Yarmouk, nos arredores de Damasco, onde ainda este ano as duas organizações extremistas colaboraram.  

Trata-se agora de saber se a nova mensagem de al-Zawahri pode fazer com que os dois grupos se reaproximem. Bruce Riedel, da Brookings, um think-tank norte-americano, diz ao Huffington Post que as divisões de fundo entre Estado Islâmico e Al-Qaeda se mantêm – entre elas o facto de o líder dos extremistas na Síria e Iraque não considerar que al-Zawahri é o legítimo sucessor de Osama bin Laden. "Não vejo uma reconciliação, mas esta gravação sugere pela primeira vez que podem ambos colaborar no terreno apesar das divergências. E isso são más notícias para o regime de Assad."