Tapadas de Monserrate e de Mafra ligadas por novo programa de visitas

De manhã, conhecer a jovem floresta que pinta de verde a serra de Sintra. À tarde, seguir para Mafra à procura das espécies autóctones que habitam a mata com mais de 260 anos. Há novos caminhos para percorrer nas tapadas.

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Na Tapada Nacional de Mafra existem cerca de 300 gamos, que passeiam livremente pela floresta Patrícia Martins

As tapadas de Monserrate, em Sintra, e de Mafra estão separadas por quase 30 quilómetros de distância mas ficaram agora mais próximas. Um novo programa conjunto de visitas guiadas dá a conhecer a biodiversidade e os valores naturais guardados naquelas duas florestas, uma mais jovem e outra já madura, convidando para uma verdadeira “viagem no tempo” à boleia da Natureza.

O programa "Do Parque à Tapada - A Natureza em Sintra e em Mafra", lançado esta quarta-feira, tira partido das semelhanças entre os dois espaços mas também valoriza as diferenças, o que os torna complementares. "Este projecto reúne duas entidades diferentes com responsabilidades comuns na gestão do património nacional", explica Susana Morais, da Parques de Sintra-Monte da Lua (PSML), que se associou à Tapada Nacional de Mafra na criação de dois percursos pedestres em zonas que "não têm sido tão exploradas ao nível da visitação".

A viagem começa na Tapada de Monserrate, no coração do Parque Natural Sintra-Cascais, onde a PSML tem estado a concentrar esforços na recuperação e protecção da floresta, ainda jovem, herdada do movimento romântico do século XIX. Por trilhos bem marcados na terra batida e sinalizados, ao longo de um quilómetro, os visitantes podem conhecer os carvalhos, medronheiros, sobreiros e azevinhos que estão ainda em crescimento, e saber mais sobre as espécies de fauna que se escondem na vegetação ou nos ribeiros.

O guia, que será um biólogo conhecedor da tapada, deverá saber também explicar a importância da água e a da existência de reservatórios que alimentam os vizinhos Jardins de Monserrate, e contar a história da origem da serra de Sintra. Os visitantes terão ao dispor painéis informativos (que permitem também a realização de visitas sem guia) sobre conceitos como forest food (a floresta como fonte de alimento para animais e para o Homem) ou espécies invasoras, com dados sobre a evolução daquele ecossistema e do microclima pelo qual é responsável.

Pelo caminho, algumas "surpresas", como lhes chama Susana Morais. Por entre as árvores espreitam esculturas em madeira de animais que em tempos habitaram a serra - um gamo e a cria, um urso e um lobo. O passeio demora 1h30, mas a viagem não fica por aqui.

A aventura continua em Mafra, a 45 minutos de carro, noutro percurso que segue os vales cravados nos montes da Tapada Nacional, mandada construir em 1747 por D. João V e por isso já madura. Ao longo de cerca de quatro quilómetros, num trilho marcado especialmente para este novo programa, os visitantes podem seguir a pé as pistas deixadas pelos animais mais emblemáticos daquela enorme mata de 833 hectares - como os javalis, os veados e os gamos, que passeiam livremente por todo o espaço - mas também ir atrás do rasto das espécies mais tímidas, como as raposas, os saca-rabos ou as aves.

A caminhada, também acompanhada de guia e com a duração de 2h30, inclui a passagem por um pequeno centro de interpretação, onde adultos e crianças podem divertir-se a identificar as aves residentes a que pertencem determinadas penas - entre elas estão espécies em vias de extinção, como a águia-de-Bonelli -, ou a descobrir a autoria de pegadas através de modelos em gesso. Na floresta, um verdadeiro mosaico vegetal, habitam mais de 130 espécies de animais autóctones.

O objectivo das duas empresas é, antes de mais, "transmitir a importância dos valores naturais que existem em Sintra e em Mafra, para que as pessoas sejam também porta-vozes dessa mensagem", explica Susana Morais. Além da vertente de sensibilização ambiental e divulgação do património natural desta zona da Grande Lisboa, os promotores apostam na diversificação da oferta para atrair outros tipos de público.

"Queremos fazer com que as pessoas que visitam um local, visitem também o outro. Actualmente temos públicos diferentes. Queremos atrair mais as escolas à Tapada de Monserrate e conseguir levar até Mafra os turistas nacionais e estrangeiros", afirma a coordenadora do Núcleo de Programação e Ambiente da PSML.

A visita conjunta custa dez euros para alunos (grupos mínimos de 20), 45 euros para famílias (dois adultos e duas crianças), 13 euros para adultos e 11 para crianças. É necessário reservar com antecedência mas no terceiro sábado de cada mês há visitas programadas, para as quais não é necessário reserva. Está previsto que a visita comece em Sintra às 10h e em Mafra às 15h30.

Alda Mesquita, directora da Tapada Nacional de Mafra, revelou que estão a ser trabalhadas parcerias com operadores turísticos ou parceiros que possam assegurar o transporte entre os dois percursos, mas por enquanto os visitantes terão de se deslocar por meios próprios.

O projecto custou aos promotores 200 mil euros, co-financiado em 40% pelo Programa Operacional Regional de Lisboa, dos quais 127 mil euros foram aplicados em Mafra, na criação do percurso e de material de apoio. Segundo Alda Mesquita, foi feito ainda um investimento na promoção e divulgação deste pacote, nomeadamente num micro-site bilingue, em português e inglês, marcando a aposta nos turistas estrangeiros.