Candidato do MPT entra em greve de fome por o Estado lhe dever 3000 euros

Eurico Figueiredo diz que a sua luta só vai terminar quando o Estado, que acusa de “delinquente”, lhe pagar.

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Eurico de Figueiredo Fernando Veludo/NFactos

O psiquiatra Eurico Figueiredo, que também é viticultor, está em greve de fome, que será cumprida em sua casa e não na praça pública e que só terminará quando a Segurança Social lhe pagar os mais de 3000 euros na sequência de uma penhora que - garante - “é considerada ilegal pela própria Segurança Social”.

“Seria mal compreendido e não era bonito tendo em conta a minha idade, 76 anos, fazer greve de fome na via pública. A minha condição pessoal não é compatível com a ligeireza de fazer uma greve de fome aqui [junto ao edifício do Centro Distrital do Porto da Segurança Social] ”, afirma o candidato do MPT.

Foi precisamente neste local, que o também fundador do Partido Democrático Republicano, do qual se desvinculou devido a desentendimentos com Marinho e Pinto, explicou aos jornalistas as razões do seu protesto. O ex-deputado disse que, há três anos, lhe foi penhorada a reforma por uma alegada dívida relacionada com o não pagamento das contribuições entre Maio de 2005 e Novembro de 2008, enquanto administrador de uma empresa vitivinícola.

Sucede que em Outubro de 2014, a penhora foi considerada ilegítima, tendo sido o dinheiro desbloqueado pelos bancos, mas a Segurança Social ainda não lhe reembolsou os mais de três mil euros de dívida ao fisco, referiu o professor catedrático jubilado da Universidade do Porto.

Garantindo que o MPT o apoia nesta luta, o candidato a deputado arrisca fazer uma greve de fome que lhe pode trazer “riscos de saúde expressivos”, conforme considerou. “Vou arriscar fazer uma greve de fome apoiada por um colega meu, Pedro Branca, que é director do Serviço de Anestesia no Hospital de Matosinhos e quando considerarmos que há um risco óbvio ao nível da minha saída esse médico será forçado a hospitalizar-me e a partir dessa altura as coisas serão incompativelmente mais claras”, declarou, lamentando que nenhuma das instituições clínicas privadas a que recorreu para ser apoiado tenha sido sensível à sua luta. A Ordem dos Médicos não ficou isenta de críticas.

Acusando o Estado de ser “delinquente”, o psiquiatra acredita que a sua “perseverança vai ter uma resposta”. “Não considero que o nosso Estado seja tão monstruoso que não atenda a uma situação limite”, afirma, prometendo que se for eleito vai lutar contra “este Estado delinquente”.

E atira:” Enquanto o nosso Estado não for um Estado de bem, a fuga ao fisco, a tendência para a corrupção é qualquer coisa de espontâneo”.