“Foi como se o estivesse mesmo a ver”, diz Steve Wozniak sobre Steve Jobs

Danny Boyle apresentou o filme sobre a vida do co-fundador da Apple no Festival de Telluride. Paralelamente, revelou que o seu próximo projecto vai ser Trainspotting 2.

A crítica elogia o trabalho de Michael Fassbender
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A crítica elogia o trabalho de Michael Fassbender DR

A estreia comercial acontece daqui a um mês mas o muito aguardado novo filme sobre a vida de Steve Jobs, foi exibido este fim-de-semana no Festival de Telluride com pompa e circunstância. Realizado por Danny Boyle, a projecção contou com a presença de alguns dos amigos do co-fundador da Apple, entre os quais o parceiro Steve Wozniak que, pela primeira vez, elogiou o retrato feito: “Foi como se o estivesse mesmo a ver”. Michael Fassbender já é apontado para a época de prémios que se avizinha.

Steve Jobs, o segundo filme dedicado ao fundador de Apple depois de Jobs (2013), realizado por Joshua Michael Stern e com Ashton Kutcher no papel principal, foi apresentado este fim-de-semana nos Estados Unidos ainda como um “work in progress”, com Danny Boyle, vencedor de um Óscar com Quem Quer Ser Bilionário (no total o filme arrebatou oito estatuetas), a explicar que o filme não está ainda completamente acabado.

Mesmo assim, as críticas ao filme, que tem Aaron Sorkin como argumentista, foram positivas, fazendo antever o sucesso de Steve Jobs ao contrário do que aconteceu com Jobs –  filme que foi um fracasso de bilheteira e também não agradou aos críticos de cinema.

Questionado pelo site especializado Deadline, Steve Wozniak não foi comedido nas palavras: para ele, que fundou a Apple com Jobs e que viveu tudo aquilo, ver o filme foi uma viagem ao passado. Ele que criticou algumas coisas do filme realizado por Joshua Michael, desta vez deixou apenas elogios. “Eu vi toda a gente ali, era como se não fossem actores a interpretá-los”, disse, incluindo neste elogio o retrato de Seth Rogen, o actor que lhe dá vida no filme. “Dou todo o crédito a Danny Boyle e Aaron Sorkin por terem conseguido fazer isto tão bem.”

No grande ecrã, Jobs é interpretado por Fassbender, um sério candidato aos Óscares, escreve a BBC. “Ele domina o ecrã”, lê-se na Variety, enquanto o Hollywood Reporter destaca que o actor transmite com “um sentido fortíssimo” a mente de alguém “que está sempre vários passos à frente de qualquer pessoa”.

Mas Fassbender não foi sequer a primeira escolha para este projecto, cuja produção começou envolta em alguma controvérsia, desde logo pela escolha do realizador. Antes de Danny Boyle ter sido chamado para dirigir o filme, tinha sido escolhido David Fincher, que terá abandonado o filme em Abril do ano passado em discordância com os valores propostos pela Sony — a produção passou depois para a Universal. Também a escolha do protagonista não foi à primeira: Leonardo DiCaprio disse não, Christian Bale também e Fassbender ficou com o papel.

Do elenco fazem ainda parte, além de Fassbender e Rogen, Kate Winslett (Joanna Hoffman, antiga directora de marketing da Macintosh) e Jeff Daniels (John Sculley, ex-CEO da Apple). Steve Wozniak destaca o retrato de Joanna Hoffman, grande confidente do homem polémico e visionário que morreu em 2011, apontando Winslett também aos prémios.

Na apresentação do filme, que percorre a vida de Jobs a nível profissional e pessoal através de três momentos chaves, Danny Boyle defendeu que Hollywood tem a responsabilidade de analisar a importância de pessoas como Steve Jobs ou Mark Zuckerberg, o criador do Facebook, cuja vida foi representada em A Rede Social, filme de 2010 realizado por Fincher com argumento também de Aaron Sorkin.

Em Jobs, Sorkin organizou a narrativa em três momentos, focando-se nos bastidores do lançamento de produtos emblemáticos da Apple: o Macintosh, em 1984; o NeXT, em 1988, já depois de Jobs ter deixado a Apple; e o iMac, em 1998, após o seu regresso à empresa.

“Estes filmes têm de ser feitos”, disse o realizador, citado pelo The Guardian. Para Boyle, Jobs ou Zuckerberg, “criaram forças mais poderosas que os governos ou os bancos”. “E não parecem motivados por dinheiro. Eu acho isso extraordinário. É uma mudança de paradigma”, continuou. “Eles não estão interessados em dinheiro mas na informação. A nossa informação.”

A estreia da versão final do filme acontecerá a 3 de Outubro no Festival de Cinema de Nova Iorque, dia da estreia comercial nas salas norte-americanas. Mais tarde, a 18 de Outubro, Steve Jobs será o filme de encerramento do Festival de Cinema de Londres. Em Portugal, deverá chegar às salas a 12 de Novembro.

Trainspotting 2 a seguir

Paralelamente, o realizador foi questionado sobre a muito aguardada sequela do filme de culto Trainspotting (1966). Danny Boyle não fugiu às perguntas e assumiu que esse será exactamente o seu próximo trabalho. “Os quatro actores [Ewan McGregor, Robert Carlyle, Jonny Lee Miller e Ewen Bremner] querem voltar a fazê-lo, e por isso agora é só uma questão de acertar todas as agendas o que é complicado porque dois deles estão a fazer séries televisivas nos Estados Unidos”, revelou ao Deadline.

Trainspotting, a história sobre os viciados em droga, em Edimburgo, baseada na obra de Irvine Welsh, é hoje um dos filmes mais icónicos do cinema britânico. O argumento foi escrito por John Hodge que, segundo Boyle, já escreveu a história para este segundo filme, que partirá exactamente da sequela de Welsh, o livro Porno. Esta segunda história, no livro, acontece nove anos depois dos acontecimentos em Trainspotting.

Em Junho, Ewan McGregor, que ganhou reconhecimento mundial com o papel de Renton, disse em entrevista ao The Guardian que estaria disponível para voltar ao projecto. “Já o disse ao Danny. Toda a gente tem falado disso e especulado, mas ainda não sei se vai acontecer. Eu não li o argumento e nem sei se já há um. Já passou muito, muito tempo”, reagiu então o actor.

Em 2016, marcam-se os 20 anos da estreia de Trainspotting e por isso Danny Boyle quer dar prioridade a esse projecto, que é há muito tempo falado mas que acaba por nunca avançar.