FMI considera que bancos centrais não devem aumentar a taxa de juro

Perante a perspectiva de a economia mundial crescer menos que o previsto no início do ano, o Fundo Monetário Internacional defende que deve ser mantida uma política de incentivo à procura.

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Christine Lagarde, já tinha dito que o crescimento global deve ser revisto em baixa. AFP PHOTO / ADEK BERRY

Com o avolumar das preocupações sobre o crescimento da economia mundial, no documento preparatório do encontro dos ministros das finanças e governadores de bancos centrais dos países do G-20, o fundo defende que os incentivos à dinamização da procura e consumo se devem manter, numa alusão à possibilidade de a Reserva Federal norte-americana subir a taxa de juro.

O encontro serve para preparar terreno para a cimeira com os chefes de Estado dos 20 países que terá lugar a 15 e 16 de Novembro, também na Turquia. 

A directora da instituição sedeada em Nova Iorque, Christine Lagarde, já tinha dito no início da semana que o crescimento global deve ser revisto em baixa devido a uma recuperação mais lenta das economias desenvolvidas e a uma desaceleração das economias emergentes. No caso das economias avançadas, refere-se que a política monetária deve manter as actuais condições “para evitar que as taxas de juro reais subam prematuramente”. Até porque, refere-se, a expectativa de um aumento da actividade económica proporcionada pela baixa dos preços do petróleo (dando mais espaço ao rendimento disponível) "não se materializou", e, ao mesmo tempo, esse factor tem mantido a inflação baixa. 

Nos EUA a melhoria dos indicadores da economia tem levado a Reserva Federal a considerar a subida da taxa de juro. No entanto, o FMI tem instado a autoridade norte-americana a adiar esta medida, com receio do efeito que, conjugada com os indicadores que apontam para a desaceleração da economia chinesa, possa ter na economia global, com destaque para os países emergentes.

A ponderação da Fed está relacionada com o melhor desempenho da maior economia do mundo em comparação com as congéneres europeias. No entanto, o FMI considera que nos Estados Unidos a questão principal é o “momento apropriado e o ritmo de normalização da política monetária”, ou seja, o timing do início da subida das taxas de juro e o ritmo a que isso se fará. Sobre o segundo aspecto, o FMI assinala que a pouca pressão que se tem verificado sob os preços e os salários sugere que que a subida será sempre feita gradualmente.

Em Junho, Lagarde tinha defendido que a Fed não devia levar a cabo um aumento da taxa de juro antes de 2016.

Num contexto de fraco crescimento mundial para o qual contribui a desaceleração da economia chinesa, o FMI considera, no seu documento de trabalho agora publicado, que deve haver uma concertação de políticas a nivel global para “aumentar o crescimento e mitigar os riscos”. A baixa dos preços das matérias-primas e a volatilidade dos mercados constituem outros factores de preocupação.

O Banco Central Europeu já anunciou nesta quinta-feira que iria manter a taxa de juro ao mesmo nível, depois de ter tornado público que poderia alargar o programa de compra de obrigações.

No mesmo texto o fundo analisa a situação na zona euro e considera que, caso o novo programa grego falhe “devido a incerteza política ou a fadiga nas reformas, o stress financeiro na zona euro pode reaparecer”.

O FMI nota que a “reacção dos mercados às incertezas que rodeiam as prolongadas negociações” para um novo programa a implementar na Grécia foi “limitada” e que "os riscos diminuíram significativamente desde o acordo para um novo programa do Mecanismo Europeu de Estabilidade”.

A 11 de Agosto o governo grego chegou a acordo com os credores para um empréstimo de 86 mil milhões de euros em três anos, com Atenas a ter que levar a cabo reformas sob observação dos credores. Na sequência da demissão do primeiro-ministro Alexis Tsipras, os gregos vão a votos no próximo dia 20 de Setembro. Para já, o FMI ainda não se juntou ao novo pacote, esperando para ver qual é que será a solução dos europeus para a questão da dívida grega, que o Fundo diz ser agora insustentável.