Tudo por uma boa selfie

O processo de venda do Novo Banco soa cada vez mais estranho. Depois de falharem as negociações com o grupo chinês Anbang, o parceiro seguinte passou a ser outro grupo da mesma nacionalidade, a Fosun, ao contrário dos americanos da Apollo, que estava em segundo lugar na short list divulgada pelo Banco de Portugal, quando anunciou os três finalistas da última etapa das negociações. Como se isto não bastasse, é notória a pressão política para a conclusão do processo, como ainda no sábado foi claro por parte do primeiro-ministro, provavelmente ciente das dificuldades que o governador do BdP estava a enfrentar com a Anbang. Mas a maior estranheza prende-se com as declarações da ministra das Finanças endossando todas as responsabilidades deste negócio para a entidade reguladora. É verdade que há eleições à porta e é preciso acautelar a imagem da selfie governamental, mas os representantes do Estado que meteu 3900 milhões de euros no Fundo de Resolução dos bancos não pode lavar as mãos como Pilatos.