Jonathan Alcorn/ Reuters
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Jonathan Alcorn/ Reuters

Megafone

A nova vaga de videojogos portugueses

Portugal tem potencial. Acho que isto já não é novidade nenhuma. E aos poucos o trabalho surge. Até ao momento, já houve um deslumbre da nova vaga de títulos Made in Portugal

Já passou um ano desde que o primeiro Microsoft Game Dev Camp decorreu e, provavelmente, este evento criou uma espécie de faísca no desenvolvimento de jogos em Portugal, ou, pelo menos, ajudou a criar um ecosistema que não existia. Agora que a data da segunda edição foi anunciada (12 de Setembro), espera-se que a mesma energia continue.

Na edição do ano anterior, muitos jogos foram anunciados ou apresentados pela primeira vez ao grande público, e entre todos os títulos anunciados, são poucos os que ainda não viram a luz do dia. “Hush”, da GS78, já foi lançado, assim como “Shrooms”, da Immersive Douro, “Parigami”, da Awesome, e “Smash Time”, da Bica Studios. Mesmo assim, ainda faltam: “Greedy Guns”, da Tio Atum, “Between me and the Night”, da Raindance Studios, “Cosmonaut”, da Ground Control Studios, e “Nobu: Fat Revenge” da Binnary Pig. Felizmente, estes todos estão na recta final de desenvolvimento.

Jogos à vista!

Portugal tem potencial. Acho que isto já não é novidade nenhuma e, aos poucos, o trabalho surge. Até ao momento, já houve um deslumbre da nova vaga de títulos Made in Portugal. Exemplos disso são a produtora nacional Fun Punch, que venceu o Microsoft Pizza Night deste ano, com o seu “Super Battle Arena” (nome provisório), e é sem dúvida um dos títulos mais aguardados, misturando competição entre dois jogadores num jogo inspirado na personagem Nidalee de League of Legends. A Biodroid dividiu-se em várias outras empresas, tendo dado lugar à B5 em Lisboa, que esteve na Gamescom 2015 para apresentar o seu novo puzzle para telemóveis, o “Drawn to Light”. A Norte temos a Amplify Studios, que está a trabalhar no “Decay of Logos”, um action adventure que promete. Recentemente surgiu a Dsquare Games, co-fundada por Ivo Duarte, que passou pela Massive/Ubisoft e trabalhou no” Tom Clancy's The Division”, mas voltou a Portugal para apostar no universo Indie. Neste momento está a trabalhar no RTS, “Inner Sea”.

Em termos individuais, há igualmente cada vez mais pessoas em Portugal a fazer trabalho remoto para grandes empresas. Henrique Lopes, em Lisboa, tem-se destacado como 3D Prop e Environment artist, no novo “ARK: Survival Evolved”, enquanto, Pedro Camacho, na ilha da Madeira, fez a banda-sonora para títulos como “Star Citizen”, “Civilization V” e “Witcher 3”.

Mas não é só em intrépidos aventureiros que Portugal se tem destacado. Com tanto a decorrer, isto não tem passado despercebido em termos internacionais. Prova disso é que, há relativamente pouco, a empresa Marmalade, uma das gigantes do sector mobile, abriu uma filial em Portugal. Está agora a fazer “companhia” à Miniclip (“Gravity Guy”, “8 Ball Pool”, “Hambo”), que se encontra entre nós desde a década passada.

Em suma, está muito a acontecer em Portugal, e neste pequeno texto toquei somente na ponta do iceberg. Existem mais títulos a ser planeados para várias plataformas - consolas, computadores, mobile - e é mais que notório que a qualidade está a crescer em Portugal.

Uma vez, o super veterano Filipe Pina, da Nerd Monkeys, disse-me: "O mais importante quando estás a fazer um jogo é conseguir acabá-lo e publicá-lo. Só assim é que se consegue evoluir." E é exactamente isso que se está a decorrer em Portugal. No dia 12 de Setembro, na segunda edição do Microsoft Game Dev Camp, lá estarei para ver como está a ser a nossa evolução.