Acordo de incidência parlamentar chega para Cavaco Silva

Presidente da República apelou de novo ao diálogo entre partidos, mas já não fez finca-pé num governo maioritário.

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O Presidente da República aproveitou a situação política grega para apontar a saída para a situação política portuguesa pós-legislativas, apontando para um acordo de incidência parlamentar quando até agora tem defendido uma solução maioritária no Parlamento.

"As eleições [na Grécia] são uma jogada política, que é criticada por todos os partidos, mas quando um partido daquela área política perde toda a sua maioria de um momento para o outro, as escolhas são muito limitadas, porque é sempre difícil ficar nas mãos dos partidos da oposição, principalmente se não existe um acordo de incidência parlamentar. Em Portugal o compromisso pode também revestir a forma de acordo de incidência parlamentar", afirmou Cavaco Silva.

Quando anunciou a data de 4 de Outubro para as eleições legislativas, o Chefe de Estado considerou "extremamente desejável que o próximo Governo disponha de apoio maioritário e consistente na Assembleia da República". Na altura, a declaração foi interpretada como um recado sobre a sua indisponibilidade para dar posse a um Governo minoritário.

A referência, agora, a um acordo de incidência parlamentar foi feita numa visita realizada a São Brás de Alportel, no Algarve, onde o Presidente da República se congratulou também por a pré-campanha para as eleições legislativas estar a decorrer com "serenidade" e sem "agressividades verbais" e apelou de novo ao diálogo entre partidos.

Cavaco Silva pediu ainda para que os partidos trabalhassem para esclarecer os eleitores até ao dia do voto. "Congratulo-me com o facto de, até este momento, neste período pré-eleitoral, se tenha verificado serenidade da parte dos diferentes partidos, sem agressividades verbais, sem insultos e sem grandes crispações", afirmou.

O Presidente disse esperar que "as forças políticas se empenhem na informação e no esclarecimento dos eleitores, de forma civilizada" e considerou que isso "aconteceu até agora" e dá ideia de que Portugal se está "a aproximar daquilo que acontece em campanhas eleitorais nos outros países europeus da nossa dimensão".

Questionado sobre a polémica dos debates televisivos, surgida depois de a coligação PSD e CDS ter exigido a presença de Paulo Portas no confronto entre os representantes as forças com assento parlamentar, o Chefe de Estado disse que os frente-a-frente vão ser importantes para esclarecer os eleitores, mas apelou aos partidos para não alimentarem questões que causem divisões. "

Mas o que apelo é que se concentrem acima de tudo no esclarecimento, na informação dos portugueses, e deixem de lado das questiúnculas e das polémicas, que fazem muito pouco sentido nesta fase em que é importante os portugueses saberem por que vão escolher A ou escolher B", afirmou.

Perante a insistência dos jornalistas, Cavaco Silva acrescentou que "é isso que acontece nos outros países europeus" e manifestou o desejo de "que o diálogo seja algo que entre na cultura dos partidos no nosso país, o diálogo e a cultura de compromisso".