Cristas diz que Portas foi determinante no financiamento das obras de Alqueva

Quando Portas se encontrar com Costa vai perguntar-lhe: “Atão estás de abalada?”

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Adriano Miranda

E Portas, que acompanhou a ministra, recordou como ela “sofreu muito para que a obra fosse concluída”, explicando como ao longo dos últimos quatro anos se “viveram muitas horas de stress, alguma angústia, mas nunca desânimo” quando estava em causa a conclusão do Alqueva.

“Não queríamos mais uma obra de Santa Engrácia” observou Portas, lembrando que Assunção Cristas “sempre acreditou que era possível concluir” o empreendimento do Alqueva. No entanto, em Setembro de 2011, na sequência de uma reunião que manteve com representantes dos agricultores alentejanas, um assessor de imprensa do Ministério da Agricultura disse então ao PÚBLICO que o objectivo da ministra passava por “concluir apenas as obras da rede primária e secundária em curso para não perder os fundos comunitários”.

Hoje o financiamento está garantido para a conclusão do projecto através dos “fundos de coesão” e de acordo como o modelo financeiro “que escolhemos e que implicou menos financiamento do orçamento português”  e em 2016 “estarão em condições de ser regados os 120 mil hectares” previstos no projecto de regadio do Alqueva, comprometeram-se Assunção Cristas e Paulo Portas.

A ministra exultou com a afluência do sector privado ao regadio. “Vem gente de todo o país e do estrangeiro pela garantia de água” que o empreendimento oferece, ou seja durante quatro anos, mesmo que a região seja assolada por seca extrema, garante por sua vez, Pedro Salema, presidente da EDIA.

“Sempre acreditei que era possível chegar à última etapa” do projecto Alqueva que ao longo de dezenas de anos “foi andando e parando” sublinha Portas lembrando que quando assumiram funções governativas “não havia dinheiro para nada”, mas mesmo assim “concluímos uma obra que não é faraónica”.

O vice-primeiro ministro disse preferir “resultados a promessas” e “sem implicar o endividamento excessivo da EDIA” prosseguiu Portas frisando ser assim que se faz “coesão territorial. Contudo e como teve oportunidade de observar, a mão-de-obra envolvida na vindima era romena, tal como acontece na apanha da azeitona e nos trabalhos de poda.

"Atão estás de abalada?"
Na sua deslocação esta manhã ao Alentejo no âmbito do seu roteiro de investimentos, o vice-primeiro ministro Paulo Portas esteve no Alentejo para se inteirar de como estão a decorrer as obras finais do Alqueva e visitar uma adega vinícola na Vidigueira.

Cativado pela abundância do gerúndio na pronúncia alentejana do anfitrião, Portas recordou as suas ligações à região e, oportuno, aproveitou para dar mais uma “bicada” no seu principal adversário político. “Quando estiver com o Costa vou-lhe perguntar: “Atão estás de abalada?” proferida num tom que provocou uma gargalhada quase geral.

Momentos antes, na conversa com os jornalistas estranhou que não lhe fosse colocada a questão dos debates, tema que ele próprio fez questão de introduzir. “Heloísa Apolónio? Estou encantado” reagiu Portas.

O vice-primeiro ministro teve oportunidade de viver o seu momento de contacto com o trabalho rural, pedindo a um trabalhador romeno que lhe emprestasse a tesoura para cortar cachos de uvas, enquanto era filmado e fotografado, uma tarefa que partilhou com a ministra da Agricultura, que se dedicou ao momento Zen, com particular afinco a revelar uma destreza que não era extensiva a Portas .