Mercados europeus fecham em alta animados por medidas do banco central chinês

Banco Popular da China anunciou intervenção para estimular economia depois de nova queda abrupta em Xangai.

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Depois de uma “segunda-feira negra”, os mercados accionistas europeus registaram uma forte recuperação, com a China a manter-se no centro das atençõe

A decisão do Banco Popular da China (BPC), de mais uma vez reduzir a taxa de juro, acompanhada de nova cedência de liquidez, entre outras medidas, explica a forte recuperação das bolsas europeias. Invertendo também, pelo menos por um dia, a queda das matérias-primas, com destaque para o petróleo. O euro desvalorizou face ao dólar. 

Apenas as obrigações dos países do Sul da Europa revelaram menos optimismo no êxito das medidas, e registaram uma subida ligeira das taxas implícitas (yields), com o movimento inverso das bonds alemãs, a beneficiar do velho estatuto de investimento de refúgio.

Já depois do fecho dos mercados locais, na sessão de ontem, o BPC anunciou a descida da taxa de juro de referência em 0,25 pontos percentuais, para 4,6%. Esta foi mais uma tentativa para dinamizar a economia chinesa — que pode não atingir o crescimento esperado de 7% — e travar a queda dos mercados accionistas, gerada por esse abrandamento e outros problemas, em especial a valorização excessiva dos títulos cotados.

Para fomentar outros investimentos, o banco central cortou ainda a taxa aplicada aos depósitos, também em 0,25 pontos, para 1,75%, e reduziu as reservas mínimas obrigatórias dos bancos em 0,5%. O pacote de medidas incluiu ainda a injecção de 150 mil milhões de yuans (perto de 20,3 mil milhões de euros) no sistema financeiro, com o mesmo propósito de aumentar a liquidez da economia.

Segundo o BPC, a desvalorização do yuan, iniciada a 11 de Agosto, reduziu a liquidez naquele mercado, pelo que decidiu abrir uma nova linha de crédito para os bancos chineses, na qual está acordada a recompra posterior dos títulos vendidos a uma taxa de juro de 2,5% no prazo de uma semana.

A entidade, citada pela agência estatal Xinhua, anunciou que estas medidas visam introduzir “liquidez a longo prazo” para apoiar a economia chinesa. A autoridade monetária promete utilizar as ferramentas à sua disposição para impulsionar a economia e apoiar os mercados, depois de as medidas recentes se terem revelado pouco eficazes. É que o banco central chinês tem vindo a injectar liquidez desde Junho (a última destas intervenções foi na semana passada, quando injectou 16,4 mil milhões de euros) para fazer frente aos efeitos da desvalorização da moeda e à instabilidade dos mercados bolsistas, sem resultados práticos.

Pelo menos na sessão de ontem, alguns mercados europeus até ganharam mais do que o que tinham perdido, como o caso da bolsa alemã, que terminou a conquistar mais 4,97%, acima dos 4,7% de perdas acumuladas na véspera. A liderar os ganhos esteve a Grécia, a recuperar 11,6%, e Milão, a subir 5,86%. Já em Lisboa, o saldo é negativo, com o PSI-20 a ganhar 4,71%, abaixo dos 5,8% que tinha perdido. 

Nos Estados Unidos, a Bolsa de Nova Iorque encerrou a sessão em queda. O índice Dow Jones, que 20 minutos antes do fecho estava em alta, terminou o dia a perder 1,29%. O Nasdaq, que reúne os títulos das empresas tecnológicas, caiu 0,44%.

Ao mesmo tempo, as matérias-primas, com destaque para o petróleo, registaram subidas. O crude subiu 2,8%, ainda abaixo os 40 dólares o barril, e o brent, referência para a Europa, subiu 1,76%, para 43,4 dólares. 

As bolsas asiáticas, que encerraram antes do anúncio das novas medidas do banco central chinês, registaram ontem mais uma sessão de fortes quedas. Depois da desvalorização de 8,46%, Xangai, a principal praça, fechou a perder 7,6% e Shenzen, o segundo maior mercado, também fechou a cair 7,1%. 

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