Benfica vai exigir em tribunal 7,5 milhões de euros a Jorge Jesus

Director de comunicação dos "encarnados" advoga que o treinador não cumpriu o último mês de contrato.

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Patrícia de Melo Moreira/AFP

A novela em torno da saída de Jorge Jesus do Benfica está longe de ter chegado ao fim. Nesta segunda-feira, dia em que foi noticiado que os "encarnados" falharam o pagamento do último salário do treinador (Junho de 2015), o director de comunicação do clube confirma o cenário, mas contrapõe: “Seria estranho o Benfica pagar um mês em que um seu funcionário não apenas não trabalhou mas, pior, trabalhou para outra entidade”. Em declarações ao Expresso, João Gabriel garante que as "águias" vão avançar para os tribunais e reclamar uma indemnização.

Em causa está o facto de Jorge Jesus ter começado a trabalhar ao serviço do Sporting, nomeadamente em Alcochete, numa altura em que ainda estava contratualmente vinculado ao Benfica. Mas este, apurou o PÚBLICO, será apenas um dos pontos da argumentação jurídica dos bicampeões nacionais, que defendem que há outros factos que concorrem para a decisão de avançar para a justiça.

"A verdade é que, perante um contrato válido, houve uma das partes que o denunciou de forma unilateral e sem justa causa, portanto o Benfica vai agir na defesa dos seus interesses pela via que dispõe que é a via judicial”, explicou o responsável dos "encarnados", adiantando que o clube não vai abdicar da cláusula de 7,5 milhões de euros que estava definida.

“O Benfica quer que o seu ex-treinador, que denunciou de forma unilateral o contrato que o vinculava ao clube, pague a cláusula indemnizatória correspondente e que estava estipulada no contrato", acrescentou, citado pelo jornal Expresso, lembrando que "os contratos devem ser respeitados e cumpridos".

Independentemente de o caso vir agora a ser dirimido em tribunal, João Gabriel não poupa críticas ao ex-treinador do clube. “Um contrato não deve ser encarado de forma leviana e com o chico-espertismo de quem acha que tudo lhe é permitido", prosseguiu, garantindo que os "encarnados" dispõem de "prova abundante” para seguirem para a justiça.

"Quem está oito horas a trabalhar em Alcochete é porque executa um contrato de trabalho, ou acha que o presidente do Sporting, em declaração pública feita com pompa e circunstância, anuncia em 5 de Junho Jesus como treinador do Sporting sem haver um contrato? Há matéria factual, esta e muita outra, a justiça dirá quem tem razão", aduziu o director de comunicação.

Quanto ao timing para a divulgação do caso, João Gabriel explica: "É um processo que já tem muitas semanas, e só é conhecido agora porque na passada sexta-feira foi comunicado aos representantes legais de Jesus que não havia espaço para qualquer tipo de acordo, que iríamos para tribunal”.