Açores foi a região turística que mais subiu as receitas em Junho

Arquipélago viu os proveitos da hotelaria crescerem 21% em termos homólogos.

Mais de 80% dos turistas só fica hospedado em São Miguel
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Rotas das low cost para São Miguel deram impulso ao turismo. João Silva

O número é redondo e ajuda a perceber como é que as notícias que dão conta de que Portugal é um destino turístico cada vez mais na moda se reflectem nas estatísticas das dormidas nas unidades hoteleiras: no mês de Junho ficaram registadas cinco milhões de dormidas nos hotéis de Portugal (e que correspondem a 1,7 milhões de hóspedes). Todas as regiões do país assistiram a crescimentos em termos homólogos, mas aquela que revela maior fulgor é a região dos Açores, a única a ultrapassar a fasquia dos 20%.

Estes valores constam do boletim da actividade turística divulgado pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) e permitem perceber o real impacto das novas ligações aéreas das companhias low-cost, que começaram em Abril a voar para o arquipélago. Se a atractividade já era visível nos anos anteriores, e os hoteleiros açorianos registaram aumentos nos proveitos totais na ordem dos 2,6% entre Junho de 2014 e o mesmo mês de 2013, nunca se tinha assistido a um aumento na ordem dos 21% como aquele que se verificou este ano – suplantando, inclusive, as taxas de crescimento registadas pela região de Lisboa.

O crescimento do Açores, em termos de proveitos da hotelaria, representou um encaixe de 6,3 milhões em Junho, e de 20,4 milhões no semestre.

Já a Área Metropolitana de Lisboa, com uma subida de 20% em Junho, chegou aos 76,9 milhões de euros, fechando assim o primeiro semestre com 345 milhões de euros. A nível global, o mês de Junho cresceu 15%, chegando aos 251,4 milhões, com os primeiros seis meses a valerem 994,3 milhões.

Em termos nacionais, os indicadores da actividade turística de Junho revelam uma variação positiva, em termos homólogos, de 8,5 % no número de hóspedes e de 7% no número de dormidas. Um crescimento que, segundo o mesmo boletim do INE, é sustentado mais pelo aumento das dormidas dos não residentes (+7,9%) do que dos clientes domésticos (+4,7%). Também aqui o arquipélago dos Açores se destaca, contrariando esta tendência, e revelando um maior aumento entre os clientes nacionais (cerca de 21%).

O mês de Junho vem fechar um semestre muito positivo para a hotelaria nacional que conseguiu ultrapassar os resultados tidos por “históricos” de 2007, tanto em  termos de preço médio por quarto disponível (RevPar) como em termos de preço médio por quarto ocupado. O INE demonstrou que o rendimento médio por quarto disponível atingiu em Junho os 43,6 euros, (+15,7%). Em Comunicado, a Associação de Hotelaria de Portugal sublinha que, pela primeira vez, o primeiro semestre do ano alcançou um equilíbrio entre a taxa de ocupação e preço médio por quarto ocupado, superior ao de 2007. "Sendo ainda muito modesto, ainda assim o RevPar no país subiu, fixando-se em 41 euros (mais 1,81 euros do que em 2007).

Os mercados externos foram responsáveis por 3,6 milhões de dormidas no mês de Junho, com os dez principais mercados emissores a permanecerem inalterados (são eles o Reino Unido, Alemanha, Espanha, França, Holanda, Brasil, Irlanda, Itália, Estados Unidos da América e Bélgica), mas a assumirem comportamentos diversos.

O mercado britânico continua a assegurar mais de um quarto das visitas (tem uma quota de representatividade de 27,4%, mais 6,4% em termos homólogos), seguindo-se o alemão com uma quota de 13,7%, desenhando um acréscimo significativo (+13,4%). Também as dormidas de nacionais franceses registaram um aumento assinalável (+12,9%), representando uma quota de 9,8% das dormidas de não residentes, enquanto que no caso das visitas dos vizinhos espanhóis assistiu a um arrefecimento: representou 7,5% das dormidas dos não residentes em Junho de 2015 face a 8,2% em Junho de 2014.