Morreu o pai do bebé palestiniano que foi queimado vivo

Vitima não resistiu às graves queimaduras provocadas por um ataque de extremistas judeus. Mulher e outro filho continuam internados em estado grave.

O estado em que ficou a casa da família Dawabsha
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O estado em que ficou a casa da família Dawabsha THOMAS COEX/AFP

Morreu Saad Dawabsha, o pai do bebé palestiniano queimado vivo há uma semana num incêndio em sua casa, provocado por extremistas judeus. Não resistiu às queimaduras profundas que sofreu.

No dia 31 de Julho, o seu filho Ali, de 18 meses, morreu no incêndio provocado por homens encapuçados que lançaram cocktails Molotov contra a sua pequena casa na aldeia de Duma, que está rodeada por colonatos israelitas no Norte da Cisjordânia ocupada.

A sua mulher, Riham, de 26 anos, que ficou com queimaduras de terceiro grau em quase todo o corpo, continua hospitalizada em Israel em estado crítico, enquanto o outro filho do casal, Ahmed, de quatro anos, está a iniciar uma lenta convalescença. Já não está a sujeito a respiração artificial e já terá aberto os olhos e reconhecido várias pessoas em seu redor, segundo os media locais.

Os muros enegrecidos da sua casa incendiada foram cobertos com as palavras “vingança” e “preço a pagar”, escritas em hebraico, a assinatura habitual dos colonos e activistas da extrema-direita israelita. Depois do ataque seguiu-se uma vaga de protestos e morreram dois palestinianos em confrontos com militares israelitas, um na Faixa de Gaza (de 17 anos), outro na Cisjordânia (com 14 anos). 

Este “preço a pagar” é imposto pelos extremistas judeus que vandalizam e agridem palestinianos, árabes israelitas e até soldados israelitas. Dizem agir em represália pela destruição dos colonatos selvagens, que são ilegais aos olhos da comunidade internacional mas também da lei israelita, ou para protestar contra decisões políticas israelitas que consideram contrárias à sua vontade de colonizar sem demoras os territórios ocupados e de expulsar todos os lugares de culto cristão e muçulmanos do “Grande Israel”.

Se até agora os crimes destes militantes do “preço a pagar” ficavam impunes, agora o Governo de Benjamin Netanyahu prometeu tratá-los como “actos terroristas” e anunciou medidas extraordinárias para lidar com os extremistas judaicos – como a detenção administrativa, que permite manter preso um suspeito sem acusação formada por um período ilimitado. A medida já é aplicada a palestinianos e foi usada esta semana pela primeira vez para deter um suspeito israelita.

Os palestinianos, que criticam a inacção da justiça israelita face aos extremistas judeus, querem levar o caso de Duma à justiça internacional. Logo após a morte do pequeno Ali, o Presidente Mahmoud Abbas anunciou que iria recorrer ao Tribunal Penal Internacional. E este sábado, um responsável palestiniano afirmou que o corpo de Saad Dawabcheh iria ser autopsiado para reunir mais provas para o tribunal de Haia.

Depois dos protestos que se seguiram à morte do bebé Ali, temem-se para este domingo novas manifestações dos palestinianos e os previsíveis confrontos com as forças israelitas. Após o anúncio da morte de Saad Dawabcheh, o porta-voz do Hamas (movimento radical que governa a Faixa de Gaza) no exílio, Hossam Badran, escreveu na sua página do Facebook que “a resistência na Cisjordânia tornou-se um direito e um dever”.

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