Movimento pelo Tejo quer rede de vigilância para denunciar poluidores do rio

Cidadãos são incentivados a tirarem fotos ou fazerem vídeos para criar pressão junto dos prevaricadores.

Autarcas da Área Metropolitana de Lisboa discordam da fusão dos 18 sistemas existentes em apenas quatro
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Autarcas da Área Metropolitana de Lisboa discordam da fusão dos 18 sistemas existentes em apenas quatro Pedro Cunha/Arquivo

O Movimento pelo Tejo - proTEJO vai criar uma rede de vigilância sobre a poluição na bacia do rio Tejo, incentivando as populações ribeirinhas a denunciarem e registarem focos de poluição e entidades responsáveis.

Em declarações à agência Lusa, Paulo Constantino, porta-voz do proTEJO, disse que o objectivo é "unir os cidadãos que se preocupam com a qualidade das massas de água e zonas ribeirinhas, tirando fotos ou fazendo vídeos a casos de poluição no Tejo que sejam provocados por entidades, empresas ou particulares".

Segundo o dirigente associativo, "o que se pretende é criar pressão junto dos prevaricadores" com uma rede de vigilância constituída por populares, com destaque para Vila Velha de Ródão e a zona de Santarém e Rio Maior.

"Essa rede já existe, mas está desgarrada, sendo que muitas denúncias já são feitas através das redes sociais, sinal de que muitas pessoas estão preocupadas, mas também atentas e sensibilizadas para a importância do registo e da denúncia de fenómenos de poluição e para a falta de caudais na bacia do rio Tejo", destacou.

"Esta rede de vigilância composta pelos cidadãos tem em vista que os infractores sejam denunciados às entidades responsáveis pela fiscalização ambiental e, consequentemente, penalizados e sancionados", vincou ainda.

A medida foi aprovada na última assembleia geral do proTEJO realizada no domingo, no dia 02 de Agosto, onde estiveram representados a associação ambientalista Quercus, a EcoCartaxo, o Movimento Ecologista do Vale de Santarém, o Movimento Cívico Ar Puro, o Observatório Ambiental do rio Tejo e o vereador do Ambiente da Câmara Municipal de Abrantes, Manuel Valamatos.

Foi ainda decidido que o proTEJO vai preparar as alegações ao Plano de Gestão da Região Hidrográfica do Tejo até 12 de Outubro, tendo em vista propor medidas que contribuam para a resolução dos problemas ambientais do Tejo e "mostrar indignação ao Governo e à Agência Portuguesa do Ambiente pela escassez de meios de fiscalização”.

"Apesar das recentes declarações dos responsáveis governamentais, em que asseguravam que a fiscalização está mais célere e mais competente, nós entendemos que os meios que existem não são suficientes para defender o Tejo dos seus poluidores. Aliás, bastou o ministro voltar costas, depois de uma recente inspecção pública ao rio, para que se voltassem a registar novos focos de poluição no Tejo", destacou.

Fundado em Setembro de 2009, o Movimento pelo Tejo - proTEJO é um movimento de cidadania informal que nasceu em Vila Nova da Barquinha, na zona do Médio Tejo, e é composto por mais de mil aderentes nas redes sociais.

Agrega cerca de 40 cidadãos e diversas entidades, entre as quais a Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo e os municípios de Abrantes, Chamusca, Golegã, Mação e Vila Nova da Barquinha.