Jesualdo Ferreira: “Não é obra do acaso. Treinadores portugueses são bons”

Técnico do Zamalek é o sétimo português a sagrar-se campeão neste ano.

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Após um longo jejum de 11 anos sem vencer o campeonato, o Zamalek voltou à rota das conquistas. O histórico emblema saboreou, na última terça-feira, o título egípcio, conquista que teve um dedo português, o de Jesualdo Ferreira. Depois de ter sido tricampeão ao serviço do FC Porto, clube pelo qual ainda venceu uma Supertaça Cândido de Oliveira e duas Taças de Portugal, o experiente treinador está de volta aos dias de glória.

Sereno e feliz. Assim se sente Jesualdo Ferreira. A mais de 3.000 quilómetros de Portugal, relata na primeira pessoa como foi esta viagem triunfante até ao reino dos faraós. Num país em constante sobressalto político e social, um português foi um dos responsáveis pela alegria de milhões de egípcios.

“Vencer tem sempre um sabor especial. O campeonato egípcio é muito difícil, extremamente competitivo. É um feito único. Agora, dou ainda mais valor às conquistas de Manuel José quando treinou o nosso rival Al Ahly. Conseguimos ganhar ao Al Ahly, que tinha vencido os últimos 11 campeonatos. Estou num grande clube, num dos maiores de África”, sublinhou o técnico, em declarações ao PÚBLICO.

Desde que Jesualdo assumiu o comando do clube, em Janeiro, substituindo o compatriota Jaime Pacheco, o emblema fundado pelo belga George Marzbach somou oito vitórias, um empate e apenas um desaire. Números de campeão.

Aos 69 anos, o "professor" aventurou-se num novo desafio, num país de contrastes que ainda recupera da destruição que começou a 18 de Dezembro de 2010. “Muita coisa mudou. As ruas estão muito mais controladas do que antes e existe muita desconfiança no dia-a-dia. Mas é um país especial. O povo egípcio é único”, relata, radiante.  

Apesar de ter levado o emblema do Cairo à glória, a continuidade no clube ainda não está definida. “Não sei. É uma decisão minha, que vou tomar com cautela. Neste momento, a única proposta que tenho é do Zamalek. A questão não é o dinheiro, eles querem que fique. Os adeptos pedem a minha permanência, mas neste momento temos mais duas competições em que pensar, a Taça do Egipto e a Taça das Confederações Africanas”, afirmou.

Jorge Jesus (Benfica), José Mourinho (Chelsea), Vítor Pereira (Olympiacos), Paulo Sousa (Basileia), André Villas-Boas (Zenit), Pedro Caixinha (Santos Laguna) e agora Jesualdo Ferreira (Zamalek). O que têm em comum estes treinadores? Além de serem portugueses, foram campeões nos respectivos países em que treinam. Questionado sobre esta constatação, o técnico do emblema egípcio foi peremptório.

“Não é obra do acaso. Acho que somos bons. É a única resposta que posso dar. Há competência nos treinadores portugueses. O último treinador que tinha sido campeão no Zamalek sabe quem foi? Nelo Vingada”, concluiu.