Daqui a sete anos, a Índia vai ultrapassar a China em população

Mais 2,4 mil milhões de pessoas até 2050 deverão aumentar a pobreza, a desigualdade e a fome, diz relatório das Nações Unidas.

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A Índia deverá ter 19% da população mundial em 2050 Rupak De Chowdhuri/Reuters

“Há 80% de probabilidades que a população do mundo seja de 8,4 a 8,6 mil milhões em 2030, entre os 9,4 e os 10 mil milhões em 2050 e entre os 10 e os 12,5 mil milhões em 2100”, lê-se no relatório publicado quarta-feira à noite nos EUA. Há dez anos, a população mundial crescia 1,24% anualmente; hoje, só cresce 1,18%.

A ONU atribui esta diminuição ao declínio quase global nas taxas de fertilidade (média de filhos de uma mulher ao longo da vida), mesmo em África, onde estas taxas são maiores do que em qualquer outra zona do mundo. Mas este decréscimo está a ser compensado por países que já têm populações muito grandes ou onde nascem muitas crianças.

Em termos globais, África será o continente com maior crescimento demográfico nas próximas décadas. Em menos de 40 anos, a Nigéria poderá ter mais habitantes do que os Estados Unidos, passando dos actuais 182 milhões para 262, em 2030, e quase 400 milhões, em 2050, tornando-se assim no terceiro país mais populoso do mundo. Os EUA continuarão a crescer mas mais lentamente e a previsão de população para 2050 fica-se pelos 389 milhões.

Na Ásia, a Índia prepara-se para ultrapassar a China: já nos próximos sete anos, os indianos vão fazer desaparecer a actual diferença – 1,310 milhões de habitantes para os 1,380 milhões da China – e em 2050 deverão representar 19% da população mundial, face aos 18% previstos para a China.

Em 2050, seis países deverão ter mais de 300 milhões de habitantes: para além da Índia, China, Nigéria e EUA, a Indonésia e o Paquistão vão ultrapassar este número.

Pela mesma altura, a Europa será o continente mais envelhecido, com 34% de pessoas com mais de 60 anos. Até 2050, o número de pessoas no mundo acima dos 60 anos vai duplicar e deverá triplicar nos 50 anos seguintes, entre 2050 e 2100.

A boa notícia é este crescimento demográfico global corresponder a um aumento da esperança média de vida e à diminuição das mortes infantis um pouco por todo o mundo. Nos últimos 15 anos, a mortalidade de menores de cinco anos já foi reduzida em mais de 30% em 86 países, com 12 nações a conseguirem uma descida de mais de 50%.

“A compreensão das mudanças demográficas que podem desenvolver-se nos próximos anos, assim como os desafios e as oportunidades que se apresentam para conseguimos um desenvolvimento sustentável, são fundamentais para pôr em prática a agenda de desenvolvimento das Nações Unidas”, afirmou Wu Hongbo, secretário do departamento responsável pelo relatório.

Apesar das boas notícias, o relatório sublinha como muito problemático que a maioria da população mundial se vá concentrar em lugares “onde é cada vez mais difícil erradicar a pobreza e a desigualdade, ou combater a fome e a malnutrição”, lê-se num comunicado de John Wilmoth, director do Departamento de Assuntos Económicos e Sociais das Nações Unidas. Para além da Índia, nas próximas décadas a maioria da população estará na Nigéria, Paquistão, República Democrática do Congo, Etiópia, Indonésia ou Uganda.

A população de 28 países africanos vai mais do que duplicar nos próximos 35 anos. Com a tendência de natalidade actual, África, o continente com 27 dos 48 países menos desenvolvidos do mundo, vai ser a única grande região do mundo com um crescimento substancial até 2050. Nessa altura, terá 25% da população mundial, aproximando-se dos 40% em 2100.