De tanto ser empurrado, Platini avançou para a corrida à FIFA

O actual presidente da UEFA, que nos últimos tempos tem sentido várias manifestações de apoio para concorrer à liderança da FIFA, anunciou a candidatura. O francês advoga um urgente “virar de página”.

Platini é irredutível na sua oposição à tecnologia no futebol
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Michel Platini: “Há alturas na vida em que temos de tomar o destino nas nossas próprias mãos” Gabriel Bouys/AFP

Está formalizada a candidatura. Depois de declarações de apoio e de movimentações no sentido de empurrar Michel Platini para a presidência da FIFA, o antigo futebolista francês decidiu mesmo avançar. Em carta enviada aos representantes das 209 federações do organismo que gere o futebol mundial, o actual líder da UEFA assumiu a intenção de se candidatar no sufrágio que terá lugar em Fevereiro de 2016. “Há alturas na vida em que temos de tomar o destino nas nossas próprias mãos”, sublinhou.

“Nos últimos 50 anos, aproximadamente, a FIFA só teve dois presidentes. Esta grande estabilidade é um paradoxo num mundo que tem sofrido mudanças radicais e num desporto que tem enfrentado consideráveis mudanças económicas. Porém, os eventos recentes obrigam o órgão supremo do futebol mundial a virar uma nova página e a repensar a sua forma de governação”, escreveu Platini, confessando que a decisão de avançar neste momento foi “cuidadosamente pensada”.

O nome do dirigente francês tem sido avançado em diferentes ocasiões como o mais provável candidato para render Sepp Blatter na presidência da FIFA. Já assim era antes do escândalo de corrupção que abalou o organismo, com várias detenções de detentores de altos cargos, e o cenário ganhou ainda mais força com o anúncio de abandono do cargo, entretanto apresentado pelo suíço.

Michel Platini começou por ser um apoiante de Blatter, quando o suíço se candidatou pela primeira vez à presidência da FIFA, em 1998. Mas desde então os dois têm divergido em várias questões e o francês não se tem coibido de criticar publicamente o líder do organismo.

Na véspera do último congresso da FIFA, no final de Maio, Platini confrontou directamente Blatter com as investigações e detenções de antigos e actuais membros do comité executivo, pelo alegado envolvimento em esquemas de subornos que terão durado mais de duas décadas. Numa reunião convocada de emergência, o francês disse ter pedido ao suíço que adiasse o congresso e retirasse a recandidatura, cenário que não vingou. Blatter acabou por ser reconduzido para um quinto mandato, apesar da contestação por parte das 54 federações europeias que apoiaram o seu concorrente, o príncipe jordano Ali bin Al-Hussein. Dias depois, o líder a FIFA surpreendeu o mundo e anunciou a sua demissão e a convocatória de um novo congresso electivo.

O Congresso Extraordinário da FIFA está marcado para 26 de Fevereiro de 2016, em Zurique, e o prazo para a apresentação oficial das candidaturas termina a 26 de Outubro deste ano. Se tudo correr dentro da normalidade, o antigo jogador do Saint-Étienne e da Juventus, e antiga estrela da selecção de França, agora com 60 anos, terá de concorrer pelo menos contra Ali bin Al-Hussein, que voltou a apresentar-se como candidato.

Fim dos “acordos desleais”
Agora, porém, o príncipe jordano não deverá recolher o apoio obtido em Maio, quando era a única alternativa a Blatter — após as desistências de todos os outros candidatos, incluindo o português Luís Figo. De resto, Ali bin Al-Hussein aproveitou o dia de ontem para criticar a candidatura de Platini, apelando ao fim da cultura dos “acordos desleais”.

“Platini não é bom para a FIFA. Os adeptos de futebol e os jogadores merecem melhor. A FIFA está envolvida num escândalo de bastidores (...). Esta secreta cultura dos jogos de bastidores tem simplesmente de acabar”, afirmou o jordano em comunicado.

Ali bin Al-Hussein desistiu da segunda volta nas eleições, durante o 65.º Congresso da FIFA, depois de Joseph Blatter ter vencido a primeira volta com 133 votos, contra 73 do jordano. Agora, não abre o jogo sobre o próximo passo a dar, mas sublinha a necessidade de sentir o pulso aos agentes do futebol. “Eu acredito que as vozes individuais das federações devem ser ouvidas. Na próxima semana, vou consultá-las sobre o que serve melhor os interesses do futebol. O que está claro é que a FIFA precisa de uma liderança nova, independente e não contaminada pelas práticas do passado”, defendeu.