GVC sobe a parada na corrida pela empresa de apostas Bwin

Proposta de 1,4 mil milhões de euros supera a proposta da rival 888.

Receitas da Bwin desceram em 2014
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Anúncio da GVC põe fim a um processo que começou em Novembro de 2014. Paulo Pimenta

A empresa GVC, ligada ao site de apostas desportivas Sportingbet , aumentou a quantia que está disposta a oferecer pela Bwin, companhia que também actua na área das apostas desportivas online.

A empresa alemã informou nesta segunda-feira em comunicado que apresentou uma proposta de mil milhões de libras, perto de 1,4 mil milhões de euros, o que significa 122,5 pences (1,72 euros) por acção.

Destes, a GVC compromete-se a pagar 25 pences por acção em dinheiro, sendo o restante garantido por acções da própria GVC. O valor da oferta, que é superior à proposta de 104,09 pences por acção da 888, foi entretanto confirmado pela Bwin. A quantia a pagar em dinheiro seria assegurada com recurso a um empréstimo do banco de investimento privado Cerberus Capital, explica o comunicado da empresa.

Em 2014, o volume de negócios da Bwin superava tanto o da GVC como o da 888. A casa de apostas, apesar de perder 6% em relação a 2013, apresentava uma facturação de cerca de 539 milhões de euros. No sentido contrário, embora com facturação inferior, a GVC crescia 23%, mas com uma receita de menos de metade da Bwin (224,8 milhões de euros) e as receitas da 888 cresciam 14%, para 410 milhões.

A proposta de 110,5 pences (1,55 euros) por acção apresentada pela 888 tinha já sido aceite pela administração da Bwin e totalizava 1,26 mil milhões de euros. A nova oferta por parte da GVC vem relançar a corrida pela compra da companhia sedeada em Gibraltar e cotada na bolsa de Londres.

À Reuters, a 888 recusou comentar se apresentaria uma nova oferta ou se se iria retirar da corrida.

O negócio, que estava perto da conclusão, envolvia um valor inferior aos 1,27 mil oferecidos previamente pela GVC e a canadiana Amaya, mas esta proposta foi descartada devido a preocupações relacionadas com o risco de execução do contrato.

A parceria entre a empresa germânica e a Amaya, que no ano passado comprou a Poker Stars, resultou numa proposta no valor de 110 pences por acção, apresentada a 9 de Julho. A Bwin preferiu a 888.

Na nova proposta, os germânicos substituiram a Amaya pelo banco Cerberus Capital como parceiro para a operação. Com a aquisição, a companhia acredita poder reduzir os custos operacionais das duas empresas num total combinado de 135 milhões de euros por ano até 2017. A 888 previa alcançar poupanças na ordem de 64 milhões de euros até 2018.

O presidente executivo da GVC, Kenny Alexander, citado pelo Financial Times, disse que, comparada com a 888, a GVC “pode criar mais sinergias” e acredita que o negócio ficará fechado nas próximas duas semanas.

A perda de lucros causada pelo aperto da regulação das casas de apostas cibernéticas e o aumento de impostos, tem levado as companhias do sector a movimentar-se no mercado.

Em Portugal, o Regime Jurídico dos Jogos e Apostas Online entrou em vigor no final de Junho.