Espaço Júlia nasce em Lisboa a pensar nas vítimas de violência doméstica

A Junta de Freguesia de Santo António e a PSP uniram-se para oferecer às vítimas uma resposta integrada. O equipamento, que abre segunda-feira, fica junto ao Hospital dos Capuchos.

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Vítimas de violência doméstica terão aqui apoio por iniciativa da Junta de Freguesia de Santo António Daniel Rocha

Lisboa vai contar, a partir de segunda-feira, com um equipamento pensado para dar às vítimas de violência doméstica uma resposta integrada. No Espaço Júlia, localizado junto ao Hospital de Santo António dos Capuchos, agentes da PSP e técnicos de acção social vão trabalhar em conjunto para ajudar a travar aquele que é um flagelo nacional.

A inauguração do espaço teve lugar esta sexta-feira, mas é às 8h de segunda-feira que as suas portas se vão abrir em definitivo. A partir daí este equipamento, ao qual é possível aceder através da Alameda de Santo António dos Capuchos ou pelo interior do hospital, estará em funcionamento 24 horas por dia, 365 dias por ano. 

No Espaço Júlia, que assim foi designado em homenagem a uma idosa de 77 anos que foi morta em 2011 pelo marido durante uma discussão ao pequeno-almoço, trabalharão em permanência dois agentes da PSP. No total são dez os elementos da 1.ª Divisão que se vão dedicar a este projecto, todos eles afectos ao Modelo Integrado de Policiamento de Proximidade (através das Equipas de Proximidade e Apoio à Vítima ou das Equipas do Programa Escola Segura) ou possuidores de formação em policiamento de proximidade ou em violência doméstica. 

Para a subcomissária Aurora Dantier, que vai ser a responsável pelo equipamento, a sua abertura é um “sonho” que “caiu em terra firme”. “Em Lisboa precisávamos deste espaço”, sublinhou, defendendo que aqui será possível oferecer às vítimas de violência doméstica “uma resposta integrada, de forma mais capaz e eficiente”. 

Aurora Dantier reconhece que nem todas as esquadras têm as condições ideias para receber quem a elas se dirige e acredita que no Espaço Júlia será possível garantir a todos privacidade, conforto e segurança. Além disso, a pensar naqueles que lá poderão chegar com pouco mais do que a roupa no corpo, a subcomissária explica que serão disponibilizados alimentos, roupa, calçados e produtos de higiene. No futuro, a ideia é que haja uma viatura afecta a este equipamento, que possa ser utilizada para ir às casas das vítimas buscar documentos, medicamentos e outros bens que se revelem necessários. 

O novo espaço, junto ao Hospital de Santo António dos Capuchos, dispõe de dois gabinetes de atendimento, um deles preparado para receber cidadãos com mobilidade reduzida, uma sala para os técnicos e um espaço a pensar nas crianças, onde estas terão ao deu dispor livros e brinquedos. Além dos agentes da PSP, trabalharão no espaço técnicos de acção social, que só vão estar no local durante o dia, mas que poderão ser chamados a qualquer hora.

A iniciativa de avançar com este projecto foi da Junta de Freguesia de Santo António. “É de lamentar termos que estar aqui hoje para inaugurar um espaço como este”, disse o seu presidente durante a inauguração, admitindo que “preferia inaugurar outro tipo de espaço”. Mas “infelizmente”, notou Vasco Morgado, este é necessário.  “Esta é apenas e só uma solução local para um problema nacional”, disse ainda o autarca do PSD, sublinhando que não pretende com este projecto “substituir” quem quer que seja. Na opinião de Vasco Morgado, este é no fundo “um pequeno passo” para “tentar minimizar o flagelo” da violência doméstica.

O Espaço Júlia funciona numa antiga dependência bancária, que foi cedida para o efeito pelo Centro Hospitalar Lisboa Central (CHLC). Na inauguração, a presidente do conselho de administração do CHLC agradeceu a oportunidade que lhe deram “para usar um espaço que está livre para uma causa tão nobre”.

“Este projecto vai seguramente ajudar a combater um crime que é quase todos os dias notícia”, defendeu Teresa Sustelo, considerando que ele “vai proporcionar um acompanhamento que é extraordinariamente importante”.

A presidente do CHLC aproveitou para apelar a que se abandone a velha máxima de que entre marido e mulher não se mete a colher, frisando a importância de todos os cidadãos denunciarem situações desse tipo de que tenham conhecimento.

Segundo Aurora Dantier, em 2013 houve no distrito de Lisboa 5885 participações por violência doméstica, número que no ano seguinte se ficou pelos 5851. 

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