Torne-se perito

Depois da Fama, o BFI fica com o proveito dos arquivos de Alan Parker

Realizador britânico doou materiais dos seus 40 anos de carreira no cinema e na publicidade.

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Alan Parker doou ao BFI cerca de 70 caixas relativas aos seus 40 anos de carreira DR

Mais de cem mil fotografias e qualquer coisa como 70 caixas de arquivo abrangendo 40 anos de carreira – é esta a dimensão da doação que o realizador britânico Alan Parker acaba de fazer aos arquivos do British Film Institute (BFI). Praticamente tudo o que Parker, que foi armado Comandante do Império Britânico em 1995 por serviços prestados ao cinema inglês, guardou das suas 14 longas-metragens, desde Bugsy Malone (1976) até Inocente ou Culpado? (2003): guiões de trabalho, fotografias de produção, diários de rodagem, materiais de promoção, cartas e documentação variada.

Mas o acervo de Parker abrange também o seu trabalho na publicidade: o realizador, hoje com 70 anos e semi-reformado, foi um dos nomes mais proeminentes de uma geração de cineastas ingleses formada na publicidade no início dos anos 1970, a par dos irmãos Ridley e Tony Scott ou de Adrian Lyne. E, tal como aconteceu com eles, o seu sucesso nas bilheteiras – com filmes como O Expresso da Meia-Noite (1978), Fama (1980), Angel Heart – Nas Portas do Inferno (1987), Os Commitments (1991) ou Evita (1996) – nunca foi verdadeiramente acompanhado pelo reconhecimento dos críticos. 

Em declarações ao jornal Guardian, Parker explicou que a doação do seu acervo ao BFI era quase uma evidência – antigo membro do conselho de administração da estrutura, o realizador tinha conhecimento do minucioso trabalho de curadoria e conservação de colecções históricas feito pela entidade. Parker não roda um filme novo há 12 anos e, embora continue a trabalhar em guiões, não tem pressa nenhuma de voltar a dirigir, preferindo uma vida recatada com a sua segunda esposa e o seu filho de oito anos. “Uma equipa de rodagem é composta por tipos excêntricos e masoquistas e as fotos e as montanhas de papelada que documentam a criação de um filme revelam muitas vezes um grupo de gente muito pouco sã”, explicou ao jornal. 

Nem tudo, contudo, foi entregue ao BFI: a carta que Madonna lhe enviou a explicar porque é que devia ser ela a interpretar Evita na adaptação do musical de Andrew Lloyd Webber e Tim Rice ficou guardadinha em casa do realizador, porque lhe trouxe “memórias muito vívidas”.

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