Dívida pública aumentou mais de 3700 milhões de euros em Maio

Dados do Banco de Portugal mostram subida da dívida pública para 229 mil milhões.

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A despesa com juros e encargos da dívida subiu 24% até Maio, mostram dados do Ministério das Finanças Nuno Ferreira Santos

A dívida pública portuguesa atingiu os 229.204 milhões de euros em Maio, aumentando mais de 3700 milhões de euros em relação ao valor do mês anterior, mostram dados do Boletim Estatístico publicado nesta terça-feira pelo Banco de Portugal (BdP).

A dívida das administrações públicas, contabilizada na óptica de Maastricht, a que conta para os cálculos da Comissão Europeia, é medida em percentagem do PIB a cada trimestre, o que significa que este número só será actualizado com a divulgação da posição da dívida no final de Junho. Para já, a referência é o valor de Março, em que a dívida, então nos 225.924 milhões de euros, equivalia a 129,6% do PIB.

Se em Abril houve um recuo próximo de 500 milhões de euros, para 225.427 milhões, a dívida pública voltou a subir, ficando já acima de 229 mil milhões (num mês, o aumento foi de 3777 milhões). Em termos brutos, este é o valor mais alto de que há registo na base de dados do Banco de Portugal (disponíveis a partir de 2007).

Do valor total da dívida, 94.232 milhões de euros correspondem a empréstimos, a esmagadora maioria de longo prazo; a maior fatia, no valor de 117.448 milhões, resulta de títulos de dívida (curto e longo prazo); os valores restantes dizem respeito a valores e m numerário e a depósitos, equivalentes a 17.524 milhões.

Os dados do Banco de Portugal mostram que a dívida líquida dos depósitos da administração central aumentou 527 milhões de euros entre Abril e Maio, passando de 208.504 milhões de euros para 209.031 milhões.

Em Maio, mês em que o Tesouro amortizou em bilhetes do tesouro um valor inferior a 2000 milhões de euros, o IGCP foi ao mercado emitir obrigações num valor de mil milhões de euros, mais 1500 milhões de euros em bilhetes de curto prazo.

As estatísticas da execução orçamental divulgadas pela Direcção-Geral do Orçamento, que não são directamente comparáveis com os números da dívida e do financiamento das administrações públicas na óptica de Maastricht, dão conta de um aumento de cerca de 24% na despesa dos juros e outros encargos da dívida, apenas em relação à administração central, no acumulado dos cinco primeiros meses do ano.

Segundo a DGO, “a despesa com juros e encargos da dívida directa do Estado cresceu 23,6%, influenciada, essencialmente, pelo comportamento da rubrica Obrigações do Tesouro (OT) devido a emissões realizadas em 2014 que deram origem ao pagamento de juros em Fevereiro e Abril de 2015.

Acresce o aumento na rubrica ‘Empréstimos PAEF’ [programa de empréstimos da troika], associado ao primeiro pagamento de juros relativo à décima tranche do empréstimo do Mecanismo Europeu de Estabilização Financeira (MEEF), bem como aos juros pagos ao FMI, em resultado do aumento do prémio que entrou em vigor em Maio de 2014 e da depreciação do euro”.