Filha de Stanley Ho promoveu missão empresarial a Portugal

Foto
Autoridades nacionais sensibilizaram Pansy Ho para o reforço do investimento no país Siu Chiu/Reuters

Encontro segue-se à visita de uma equipa do Governo à China, que deverá chegar a 2020 como maior investidor mundial

Uma delegação chinesa chefiada por An Qiyi, o número dois da Câmara de Comércio e Indústria, que representa cerca de quatro milhões de associados, esteve a semana passada em Lisboa, onde se reuniu com as autoridades para abordar novas oportunidades de negócio.

A missão chinesa liderada por An Qiyi chegou a Lisboa a meio da semana passada e integrava 11 executivos de grandes empresas, entre os quais Pansy Ho à frente da MGM China (ligada aos negócios do jogo em Macau, Hong Kong e Portugal) e accionista da Jetstar e da Shun Tak. Pansy Ho, filha do empresário macaense Stanley Ho, apareceu como promotora da visita de negócios a Portugal, que se estendeu nos dias seguintes a Espanha e à Polónia.

O Financial Times de 26 de Junho apontava  a China como o maior investidor fora de portas a nível global em 2020. E sublinhava o quarto lugar ocupado por Portugal (que está a ser disputado pela Itália) entre os países europeus de destino dos investimentos chineses, numa lista que tem no topo a Grã-Bretanha, seguida da Alemanha e da França.  

Na quinta-feira, 9 de Julho, a delegação da Câmara de Comércio e Indústria da China, que representa quase quatro milhões de empresas associadas com presença em diferentes sectores, esteve no Ministério da Economia onde se cruzou com o ministro da Economia, Pires de Lima, e reuniu-se durante cerca de duas horas com o secretário de Estado Adjunto, Leonardo Mathias. Dos contactos bilaterais é feito um balanço positivo por parte de Leonardo Mathias: "Ficou o compromisso de se enviar toda a informação sectorial, via AICEP, para a associação [Câmara de Comércio e Indústria da China] que, por sua vez, a disponibilizará aos seus quase quatro milhões de associados".

Admite-se que nas conversas com Pansy Ho, as autoridades nacionais possam ter procurado sensibilizá-la para o reforço da aposta no país, nomeadamente no segmento industrial, mas também no BCP. Em 2012 Stanley Ho tinha uma posição qualificada (hoje inferior a 2%) no banco que justificou a indicação de Pansy Ho para os órgãos sociais. Actualmente, Nuno Amado procura uma reorientação da estrutura accionista.

No seu regresso a Portugal, onde tem actividade na área do jogo e no imobiliário, Pansy Ho, de 52 anos, fez-se acompanhar de vários colaboradores e aproveitou para se reunir com Fernando Medina, o presidente da Câmara Municipal de Lisboa. 

A presença dos empresários e gestores chineses em Lisboa ocorre dois meses depois de, no início de Maio, uma comitiva encabeçada pelo secretário de Estado da Economia ter ido a Pequim, Xangai, Macau e Hong Kong com um objectivo: "A manutenção das relações diplomáticas, institucionais e políticas" e continuar a "trabalhar nos dossiers de protocolos com entidades congéneres da ASAE", neste caso para debater temas relacionados com "a regulação de mercados, criação de empresas, protecção de patentes, concorrência" .

Em 2014 as exportações nacionais para a China (envolvendo 1100 empresas) ultrapassaram 1600 milhões de euros, mais 19%. A procura incide sobre veículos e outros materiais de transporte, pastas celulósicas e papel, máquinas e aparelhos, minerais e minérios. E ainda o agro-alimentar, que só vale 2,2% da exportações, com a venda de vinho a totalizar um encaixe de apenas 16 milhões de euros. Já as parcerias económicas bilaterais Portugal-China aumentaram 300%. Entre 2011 e 2015 Pequim investiu em Portugal mais de 10.000 milhões, incluindo privatizações (EDP, REN, Fidelidade) e compra de empresas como a Luz Saúde (ex-GES).

Sugerir correcção