No coração de Plutão há uma planície gelada

Ao pé das altas montanhas recém-descobertas pela sonda New Horizons da NASA no planeta-anão, surge agora uma gigantesca região plana e gelada.

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A planície gelada agora descoberta em Plutão, com as suas enigmáticas estruturas NASA
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A ampliação de uma zona de Caronte revela uma depressão com um pico no seu centro (canto superior esquerdo do rectângulo) NASA

“Podemos dizer que o sistema solar nos reservou o melhor para o fim”, exclamou na sexta-feira Alan Stern, líder da equipa científica da missão a Plutão da NASA, durante mais uma conferência de imprensa transmitida em directo pela Web, desta vez a partir da sede da agência espacial norte-americana.

Stern referia-se às surpresas que o mais longínquo grande corpo do nosso sistema planetário tem ido revelando à medida que os dados e as imagens recolhidas há dias pela sonda New Horizons continuam a chegar à Terra e a ser analisados pelos cientistas.

A grande novidade de sexta-feira foi a descoberta de uma planície gelada dentro do “coração” do planeta-anão – a região cuja forma já se tornou célebre e que passou agora a ser informalmente designada Região de Tombaugh em homenagem ao astrónomo Clyde Tombaugh, que descobriu Plutão em 1930.

Esta planície de gelo de azoto, que foi descoberta na segunda imagem de Plutão em alta resolução agora processada pela equipa, situa-se ao lado das altas montanhas, com cerca de 3500 metros de altura (a que foi dado o nome de Montes Norgay), que os mesmos cientistas descobriram a meio desta semana na primeira imagem em alta resolução do planeta-anão enviada pela sonda.

Entretanto baptizada Planície Sputnik, a planície gelada, totalmente desprovida de crateras e portanto provavelmente de formação muito recente, apresenta uma paisagem composta por formas poligonais irregulares, rodeadas de “sulcos com um material mais escuro no fundo”, como explicou o geólogo Jeff Moore, outro elemento da equipa.

Também visível na imagem da planície, surge uma série de “serras”, cuja altura não foi determinada porque ainda não há dados suficientes para o fazer. A este propósito, Jim Green, da NASA, fez notar que “até agora, só descarregamos para a Terra 1 a 2% de todos os dados recolhidos pela sonda aquando da sua passagem por Plutão. E na próxima semana, vamos ter uns 5 a 6%. Portanto, o que estamos a ver é apenas a ponta do icebergue”.

Na nova imagem, que foi tirada pela câmara da sonda a 14 de Julho, quando esta se encontrava a 77.000 quilómetros de Plutão, um pixel representa um quadrado com cerca de 400 metros de lado. “Mas na próxima semana, vamos obter uma resolução duas vezes maior”, acrescentou Alan Stern. E nos próximos meses, graças a dados recolhidos por outros instrumentos de bordo, esperam conseguir explicar o processo responsável pelas estruturas presentes na recém-descoberta planície.

Graças a outros instrumentos de bordo, a equipa descobriu ainda uma região da planície onde a concentração em monóxido de carbono é muito mais alta do que no resto. Aqui também, serão precisos mais dados para saber por que é que isso acontece.

Os cientistas já começaram a analisar dados relativos à atmosfera de Plutão. Têm algumas ideias especulativas, mas preferem esperar por mais informação para tirar conclusões. "E Caronte, afinal possui uma atmosfera?", perguntou alguém. “A resposta segue dentro de dias”, respondeu Alan Stern.