Pode a arte ser o motor da inclusão social? A Gulbenkian mostra que sim

Nesta sexta-feira e no sábado há teatro, concertos, circo, mostra de fotografias e documentários sobre projectos apoiados pela fundação.

Teatro Ibisco trabalha com crianças de dois bairros problemáticos de Loures
Teatro Ibisco trabalha com crianças de dois bairros problemáticos de Loures Márcia Lessa/Teatro Ibisco/DR
Orquestra Geração desenvolve orquestras juvenis e infantis com crianças dos primeiros ciclos
Orquestra Geração desenvolve orquestras juvenis e infantis com crianças dos primeiros ciclos Samir Cassim/Orquestra Geração/DR
Chapitô trabalha com jovens que estão a cumprir penas judiciais em centros educativos do Ministério da Justiça
Chapitô trabalha com jovens que estão a cumprir penas judiciais em centros educativos do Ministério da Justiça Chapitô/DR
Em Castelo Branco, quatro aldeias têm recebido artistas urbanos
Em Castelo Branco, quatro aldeias têm recebido artistas urbanos Afonso Cabral/Há Festa no Campo/DR
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Os palcos da Fundação Gulbenkian, em Lisboa, vão ser ocupados nesta sexta-feira e sábado por artistas improváveis. A instituição abre as portas a alguns dos projectos que apoia através do programa Partis – Práticas Artísticas para a Inclusão Social, e que utilizam o teatro, a música, o cinema, a fotografia e até o circo para mudar comportamentos e promover a integração de pessoas normalmente marginalizadas.

"Há alguns anos que andamos a trabalhar neste casamento entre práticas artísticas e a inclusão social", explica Luísa Vale, directora do Programa Gulbenkian Desenvolvimento Humano. Depois de apoiar alguns projectos avulso, a instituição concluiu que "a arte tem mesmo um efeito de causalidade na alteração de comportamentos", por exemplo, em crianças irrequietas ou em jovens institucionalizados. Resolveu então criar um programa dedicado a este fim, o Partis, que na primeira edição, em 2013, destinou por concurso um milhão de euros a 17 projectos plurianuais desenvolvidos por instituições sociais ou entidades culturais. Na próxima semana abre a segunda edição, com a mesma verba disponível.

"Não se trata de usar as artes numa óptica de tempos livres, nem de criar produtos que sejam apresentados num dia sem se preocuparem com o que as pessoas vão fazer no dia seguinte", ressalva Luísa Vale. Pelo contrário, o objectivo é "exigência e excelência". E é o fruto desse trabalho que se vai ver e ouvir nas instalações da fundação, na Praça de Espanha, nestes dois dias. A entrada é livre.

Os primeiros a subir ao palco da Sala Polivalente, no Centro de Arte Moderna (CAM), nesta sexta-feira às 21h, são as crianças de dois bairros considerados problemáticos em Loures, a Quinta da Fonte e a Quinta do Mocho, com os quais o Teatro Ibisco tem trabalhado.

Mais tarde, às 22h30, no anfiteatro ao ar livre passa o documentário Há Festa no Campo, sobre o projecto promovido pelas associações Ecogerminar e Terceira Pessoa, cujo objectivo é dinamizar quatro aldeias de Castelo Branco através da arte urbana. Artistas como Vhils, Uivo ou Manoel Jack foram convidados a pintar murais nas aldeias a partir de histórias partilhadas com os habitantes.

No sábado, o Jardim da Gulbenkian vai ser ocupado das 15h às 19h pelas artes circenses do projecto Mala Mágica, do Chapitô, que trabalha com jovens internados em centros educativos do Ministério da Justiça, onde realizam oficinas que promovem competências técnicas, artísticas, expressivas e comunicacionais através do circo. Ainda no sábado, a Orquestra Geração, projecto que desenvolveu orquestras infantis e juvenis em escolas dos 1.°, 2.° e 3.° ciclos, dá um concerto às 19h no Grande Auditório (o bilhete custa 3 euros, revertendo para projectos semelhantes), e outro às 22h30, com a exibição de um documentário sobre o projecto no anfiteatro ao ar livre.

Nos dois dias, estão expostas junto ao CAM as fotografias do projecto Este Espaço Que Habito - Integrar pela arte, da Associação Movimento de Expressão Fotográfica, que incita jovens a explorar a cidade e a produzir reflexões sobre os espaços que habitam.