Hemeroteca reabre nas Laranjeiras e já não vai para a Lapa

Câmara de Lisboa mantém intenção de encontrar um espaço mais amplo para este equipamento, mas ainda não sabe onde

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Biblioteca de publicações periódicas reabriu em prédio de habitação Mara Carvalho

A Hemeroteca de Lisboa reabriu nesta segunda-feira à tarde, depois de quase dois anos encerrada, ocupando agora dois pisos de um prédio de habitação nas Laranjeiras. A morada será temporária, não se sabe até quando. No entanto, a câmara abandonou a anterior ideia de transferir este equipamento para a Lapa.

A relocalização da Hemeroteca Municipal – que foi criada em 1931 e funcionou durante 40 anos no Palácio Condes de Tomar, no Bairro Alto, até fechar em Setembro de 2013 – era uma das medidas do Programa Estratégico Biblioteca XXI, aprovado pela câmara em Maio de 2012, com o objectivo de promover a requalificação da rede municipal de bibliotecas. A solução apontada era o Complexo Desportivo da Lapa e em Outubro do ano passado a vereadora da Cultura, Catarina Vaz Pinto, afirmou que o projecto continuava “em estudo”.

“Há um projecto de requalificação de outro espaço mais amplo, que permita albergar várias instituições culturais da cidade, mas que ainda não está concluído”, disse agora a vereadora ao PÚBLICO, à margem da inauguração das instalações da Hemeroteca nas Laranjeiras. “Em princípio não será na Lapa”, adiantou, e “ainda não se sabe” onde será, nem quando. Muito menos quanto vai custar. “Está em estudo”, sublinhou.

Catarina Vaz Pinto preferiu enaltecer as “imensas condições” do novo espaço, por oposição ao palácio no Bairro Alto que estava já “muito degradado”. Ainda assim, os dois pisos nas Laranjeiras não são suficientes para guardar os 22 mil títulos (incluindo publicações dos séculos XVIII e XIX) que compõem o acervo da Hemeroteca Municipal – 12 mil periódicos estão guardados num depósito nos Olivais são a acessíveis mediante pedido prévio.

Situada no rés-do-chão e primeiro andar no número 21B da Rua Lúcio de Azevedo, num bairro residencial, perto de transportes públicos (metro e autocarro), de escolas e da Cidade Universitária, a Hemeroteca tem hoje “melhores condições de acesso”, considerou também o presidente da câmara, Fernando Medina.

“Faz sentido utilizar os equipamentos como forma de dinamização dos vários pólos da cidade”, afirmou, rejeitando a ideia de que a saída do Bairro Alto levou a Hemeroteca a perder “centralidade”. “Não só não perdemos nada face ao que tínhamos, como melhorámos”, reforçou.

No novo espaço, os utilizadores podem consultar as publicações do catálogo, acessível também online através do serviço Hemeroteca Digital, que disponibiliza 250 títulos. “Toda a documentação que estava disponível no Palácio Condes de Tomar vai estar disponível aqui”, de forma mais ou menos imediata, consoante a publicação esteja nas Laranjeiras ou no depósito dos Olivais, explicou o coordenador da Hemeroteca, João Carlos Oliveira.

Os utilizadores têm rede wi-fi gratuita em todo o espaço, que disponibiliza uma colecção especializada em monografias sobre comunicação social, postos de acesso à Internet, uma zona de leitura e uma sala para grupos, que pode ser reservada.