“Para uma frase, uma cadeira dura é melhor”

O irlandês Colm Tóibín regressou à Festa Internacional de Paraty onde esteve há 11 anos.

Foto
Colm Tóibín, na Festa Literária de Paraty ©Walter Craveiro

Aquele que é “o grande romancista irlandês contemporâneo”, como o apresentou o moderador, o jornalista mexicano a viver em Inglaterra, Ángel Gurría-Quintana, está a lançar no Brasil o seu novo romance “Nora Webster”, que conta a história de uma viúva recente e da sua luta para a sobrevivência dos filhos, inspirada na história da sua mãe. É um livro sobre a sua infância e sobre a sua família que começou a escrever ao mesmo tempo que “O Mestre”, o livro baseado em episódios da vida de Henry James, mas que abandonou porque tinha de trabalhar com material muito pessoal, que pertencia ao seu passado mas também ao de outras pessoas. Escrever romances não é uma forma de terapia, é preciso explorar o que aconteceu para se perceber onde reside o drama e por isso a escrita deste livro foi tão complicada, demorou tempo a conseguir fazê-lo, tendo terminado e publicado “O Mestre” mais cedo, em 2006. Acredita que se a sua mãe fosse ainda viva talvez não tivesse publicado “Nora Webster”, que ainda não está editado em Portugal.

“Eu acho que a ideia de escrever como um prazer, dizer-se: ‘Ai que dia óptimo que eu vou ter, vou escrever’- não é verdadeira. Escrever é difícil, é um trabalho duro, é preciso uma pessoa concentrar-se e por isso o conforto é péssimo. Uma ideia de uma cadeira confortável, vocês sabem aquelas cadeiras tipo ‘mestre do Universo’,  em que uma pessoa se vira para cá e se vira para lá e dá ordens? Eu sou contra, acho que não funciona.” Colm Tóibín acha que “para uma frase, uma cadeira de madeira dura é muito melhor”.