Sá Fernandes lidera a lista do Porto pelo Livre/Tempo de Avançar

Irregularidades nas primárias obrigaram a uma recontagem dos votos. MIC rompe com candidatura cidadã.

Ricardo Sá Fernandes foi condenado pelo crime de gravação ilícita
Foto
Polémica com votação de Ricardo Sá Fernandes no Porto. Fernando Veludo/NFactos

Irregularidades no processo eleitoral das primárias do Partido Livre/Tempo de Avançar nos votos por correspondência obrigaram à recontagem dos sufrágios que deram a vitória ao advogado Ricardo Sá Fernandes, que vai liderar a lista do Porto por aquele movimento nas eleições legislativas de Outubro. Num primeiro momento, a vitória foi para Daniel Mota, um solicitador de 39 anos, mas a denúncia de que o recente processo eleitoral foi manipulado obrigou a uma recontagem dos votos e Ricardo Sá Fernandes, que estava em terceiro lugar, vai agora liderar a lista do Livre/Tempo de Avançar.

Uma fonte ligada ao processo garantiu ao PÚBLICO que as irregularidades estão relacionadas com a inscrição de vários eleitores que votaram por correspondência. Ao todo são 46 votos que foram enviados através do círculo do Porto e que inicialmente deram a vitória a Daniel Mota. Sucede que todos os votos tinham “a mesma hora de registo no posto de correios”, refere um comunicado do Livre/Tempo de Avançar. O caso suscitou dúvidas sobre a individualidade do voto e sobre o circuito que o boletim terá feito até chegar à urna, que, refira-se, neste caso, é a caixa postal.

As suspeitas de irregularidades deram origem a várias queixas à comissão eleitoral do Livre/Tempo de Avançar, que considerou os 46 votos inválidos e a lista de candidatos a deputados foi reorganizada. Daniel Mota ocupa agora a décima primeira posição.

A decisão ocorre depois de a Comissão de Ética e Arbitragem (CEA) ter recebido várias queixas sobre o processo eleitoral realizado no Porto e todas elas estão relacionadas com os votos que deram a vitória ao candidato Daniel Mota. Perante as suspeitas, a CEA procedeu à recontagem dos votos.

De acordo com a nova lista, ordenada segundo o critério da paridade, Ricardo Sá Fernandes é o número um. Os restantes elementos são: Diana Barbosa, Jorge Morais, Mariana Topa, Rui Feijó e Manuela Juncal.

Perante as irregularidades que mancharam o processo eleitoral das primárias, o Movimento Intervenção e Cidadania (MIC) do Porto, uma das entidades fundadoras da candidatura Tempo de Avançar, entende “não estarem reunidas as condições para continuar a participar nos trabalhos da candidatura, decidindo abandonar essa estrutura política”.