Crítica

Membros, cabeça e tronco

Talvez isto não seja rock sem merdas, talvez seja pop com tudo.

A estreia dos Chibazqui
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A estreia dos Chibazqui DR

De entre os subgéneros que a imprensa inventou, não consta que alguém tenha registado a autoria da expressão “rock sem merdas”, ou que esta tenha pegado entre os melómanos enquanto descritivo de um certo tipo de música para guitarra eléctrica. E no entanto todos sabem o que é: um par de guitarras que às vezes rasgam, e certa ênfase na melodia. Tudo isso está presente na estreia dos Chibazqui: oiça-se Véspera do fim do mundo, em que teclas açucaradas fazem companhia a uma melodia delicada, dobrada por coros. Ou, exemplo mais pertinente, Elefante e micróbio. Aqui são mesmo as guitarras a liderar — mas, como no resto do álbum, há sempre algo mais, um pequeno truque, que engrandece as canções. No caso é um shaker, depois um órgão e uma voz a berrar em fundo. Mas talvez isto não seja rock sem merdas, talvez seja pop com tudo: a preocupação, em Planos para o futuro (a canção), é a melodia; a costela reggae de Animais quase comestíveis tem carne pop apimentada no refrão. E assim segue até ao fim: canções com membros, cabeça e tronco e um imenso cuidado nos arranjos e nas melodias. É um bombom. Um bombom bem bom.