Sonangol prepara fim da parceria com a Galp no negócio de venda de combustível

Petrolífera angolana quer desinvestir na Sonangalp e, em Portugal, a Sopor já foi extinta.

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A Sopor, onde a Galp detinha 51% e a Sonangol os outros 49%, acabou no final de Dezembro Rui Gaudêncio

A Sonangol quer desinvestir na Sonangalp, sociedade criada com a Galp para vender combustível em Angola, e, no final do ano passado, as duas empresas colocaram um ponto final na Sopor, que as duas empresas detinham em Portugal.

Num documento interno apresentado pelo presidente da petrolífera estatal angolana, Francisco de Lemos José Maria, no passado dia 15 de Maio, afirma-se expressamente que uma das orientações estratégicas da empresa é o “desinvestimento na Sonangalp”, inserida numa lógica mais ampla para aumentar a eficiência empresarial.

A Sonangalp, detida a 51% pela Sonangol e a 49% pela Galp (da qual a Sonangol é accionista indirecta, via Américo Amorim), opera actualmente uma rede de 13 postos de combustíveis em Luanda, Bengo e Kwanza Sul.  De acordo com informações recolhidas pelo PÚBLICO, já há vários meses que a saída da Sonangol do capital da empresa está em cima da mesa, mas nada aconteceu até agora.

Um novo accionista daria outra capacidade à Galp para se movimentar no mercado, até porque a Sonangol, através de outras participadas, domina o segmento retalhista neste país. No ano passado, segundo o Relatório & Contas (R&C) da Galp, a Sonangalp teve proveitos operacionais negativos (86 mil euros). O PÚBLICO contactou a Galp, mas não foi possível obter um comentário.

Para já, no final de Dezembro do ano passado foi dissolvida a Sopor,  que geria postos de combustível em Portugal e onde Gap detinha 51%, cabendo à Sonangol os restantes 49%. Não foi possível, no entanto, apurar as razões que levaram à extinção desta empresa.

“Contratos fantasma”
O documento distribuído pelo líder da Sonangol, e do qual o Expresso deu conta na sua última edição, é um alerta do presidente da Sonangol para a forma como o grupo tem vindo a ser gerido. Destacando que “o modelo operacional” da empresa “fracassou e está falido”, Francisco de Lemos José Maria diz que a empresa deixou de “saber fazer” e apendeu “contratar/subcontratar”.

Aqui, é particularmente crítico, ao denunciar a proliferação da contratação de prestação de serviços, incluindo a “contratação connosco próprios” e a “presença crescente de ‘contratos fantasma’”. Mas, embora remeta para ilegalidades, nada é dito sobre o apuramento de responsabilidades e eventuais penalizações.

Francisco de Lemos assumiu o cargo há cerca de três anos (era já membro do conselho de administração), tendo substituído Manuel Vicente, que, hoje, é vice-presidente da República angolana.

Afirmando que a empresa está cada vez mais dependente de terceiros, o líder da Sonangol avança com uns cálculos em que retira tudo o que não é efectivamente feito pela empresa, em termos de negócio (recebe subvenções do Estado e é, ao mesmo tempo, reguladora e concessionária, além de marcar presença na exploração de hidrocarbonetos), para depois internalizar tudo o que são contratações externas.

O resultado, mostra Francisco de Lemos José Maria, é um “resultado líquido negativo e crescente”. Neste quadro, diz o gestor, "a Sonangol apresenta uma enorme e tal extrema debilidade de 'assentar-se e mover-se' por si própria".

Ainda assim, e de acordo com o R&C da Sonangol de 2014, o lucro desceu (devido a menor produção e a preços mais baixos) mas foi de 1353 milhões de dólares e, este ano, deverá rondar os 700 milhões.

Agora, o presidente da Sonangol quer “renegar a cultura da dependência de terceiros” e fazer crescer a eficiência da empresa, através de medidas como maior recurso a concursos públicos, redução de custos, avaliação de desempenho dos trabalhadores, crescer na área da produção.

Além disso, aposta-se nos “investimentos em parceria”, e na monetização de recursos de gás natural. Na área da refinação, a ideia é reduzir a participação na unidade do Lobito e assegurar 20% da unidade do Soyo, com um “acordo de processamento de ramas”.