Editorial

Detenções angolanas “em flagrante delito”

Activistas foram surpreendidos pela polícia numa residência, algemados, conduzidos a suas casas para busca a apreensão de material e detidos sem mandado de captura. Não é um episódio histórico do Portugal dos tempos da ditadura, contado hoje para reavivar memórias, mas sim um bem recente relato de algo que sucedeu em Angola, no sábado. Diz-se que os activistas foram detidos “em flagrante delito”, quando “se preparavam para realizar actos tendentes a alterar a ordem e segurança pública do país” (e também isto era dito em Portugal antes do 25 de Abril de 1974, para justificar detenções). O que preparavam os detidos? Manifestações de protesto. O que pedem? Mais respeito pelos direitos humanos, o fim da corrupção e melhorias das políticas públicas. Ora o regime angolano, em lugar de saber viver com tais manifestações, evita-as prendendo os seus mentores. Já foi assim em Portugal. Como é que lhes chamavam, à época? Fascistas.

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